Artigos diversos sobre Eutanásia


 

Será que os doentes precisam de ouvir falar em eutanásia?

Como é que um doente de cancro vê a eutanásia?

Miami, Florida - «Oferecer a eutanásia como uma opção, faz com que o paciente se sinta um fardo para os seus entes queridos», diz Megaly Llaguno uma doente em fase terminal, que sofre de cancro, dedicou a sua vida na promoção do respeito pela vida humana. Em 1972, Llaguno, uma refugiada cubana nos Estados Unidos desde 1959, fundou o Comité Internacional Pró-Vida. Actualmente, é a directora da Human Life International para a América Latina. "Eu estou na fase terminal dum tipo de cancro chamado  mieloma múltiplo, que é muito doloroso, e incurável," isto é, não reage à quimioterapia. "Julgando com os meus sentimentos, e daqueles que me rodeiam, eu posso dizer que a depressão é uma situação comum nestas circunstâncias", diz ela. "Contudo, o que um paciente precisa não é de uma pessoa que o 'ajude' a suicidar-se, que por acaso, conduz o 'ajudante' a cometer homicídio," acrescenta. "Eu penso sinceramente que quem oferece esta 'solução rápida, barata e fácil' irá começar a sentir-se como um pesado fardo entre os seus amigos mais próximos e na sociedade."

De acordo com Megaly Llaguno, um paciente que se encontre em fase terminal "pode até sentir-se tentado ou obrigado a cometer suicídio." "Como o que precisamos é de uma atitude positiva para o nosso sistema imunitário funcionar devidamente, de modo a que no geral o nosso corpo esteja curado ou pelo menos recupere, uma atitude negativa pró-morte daqueles que nos rodeiam só torna as coisas mais difíceis," diz ela.

Llaguno diz que pacientes na fase terminal precisam de "compaixão real" e não de "compaixão aparente," assim como a "oferecida por aqueles que promovem a eutanásia e o suicídio". Megaly concluiu que "nós precisamos dum ouvido amigo, de uma palavra simpática a cada momento mas, sobretudo, precisamos de amor compassivo daqueles que nos rodeiam".

Zenit/Infomail

 


 

Os pacientes bem atendidos não querem eutanásia

Pedir a eutanásia pode ser um recurso do doente para que o tratem de outra forma

Um estudo publicado no "Journal of the American Medical Association" parece confirmar que, entre os pacientes terminais, aqueles com depressão, necessidade de especiais cuidados médicos ou fortes dores, são os mais predispostos a solicitar a eutanásia ou a cooperação no suicídio. Outro artigo recente da mesma revista comenta que essas três situações são geralmente reversíveis e que podem ser tratadas com meios específicos, tais como a atenção psiquiátrica ou cuidados paliativos, pelo que seria um grave erro permitir que o paciente tomasse uma decisão induzido por uma situação que poderá a vir-se modificar.

Os pacientes terminais por vezes sofrem frustração ou sensação de humilhação, um estado de mau-estar que pode leva-los a desejar a amorte. Para alguns destes pacientes, o pedido de eutanásia pode ser o recurso para que se lhes modifique o tratamento ou se lhes administre outro tipos de cuidados, ou simplesmente para que se lhes preste atenção.

Ainda que o pedido de eutanásia seja o verdadeiro desejo do paciente, outro recente trabalho do "New England Journal of Medicine" mostra que uma boa actuação dos médicos e familiares pode lograr uma alteração na postura do paciente. Segundo o estudo, cabe afirmar que pedir a eutanásia é mais a expressão de um sintoma de doença médica ou social que um desejo real de morrer.

 

Inauguração do primeiro hospício em Espanha

O sofrimento que induz o pedir eutanásia combate-se eficazmente nas unidades de cuidados paliativos e nos hospícios. Estes últimos, nascidos em Inglaterra nos princípios dos anos sessenta são centros que tratam de melhorar a qualidade de vida dos enfermos terminais, atendendo às suas necessidades básicas e proporcionando o tratamento médico adequado, orientado para diminuir os seus sofrimentos físicos, e complementando tudo com a devida atenção aos familiares. Inclusivé prestam a ajuda necessária para os doentes críticos, em caso de falecimento.

O primeiro hospício que funciona em Espanha, foi acabado de inaugurar em Gijón (Astúrias) no passado dia 9 de Abril, de acordo com o "Diário Médico". Este hospício é promovido pela Associação de Amigos de la Fundación Alba, ainda que também cooperem ao financiamento o Insalud e a Caja de Asturias. Por agora trata-se se um pequeno centro, com capacidade para oito pacientes oncológicos terminais. No entanto, isto é só o começo até que se disponham do centro definitivo, já em estado avançado de construcção, em Villaviciosa (Asturias), que contará com 17 camas. Este segue o modelo dum hospício existente no Quebec (Canadá), que pretende acima de tudo ter um ambiente semelhante ao familiar, pelo que estes centros nunca têm muitas camas. O hospício de Gijón está atendido por uma equipa multidisciplinar constituído por pessoal médico e de enfermaria, assim como voluntários, previamente formados para este fim.

Aceprensa/Infomail

 


 

A lógica da eutanásia

António Rego


Poderíamos começar pelo culto do corpo. Os modelos estão espalhados pelos
grandes cartazes de cidade, pelas inebriantes páginas dos jornais e revistas
e pela sequência interminável de hinos televisivos ao estado físico perfeito
que envolve os trajes, os perfumes, os automóveis... O homem e a mulher em
estado de perfeição desafiam todos os medíocres do mundo a copiarem o seu
ar, a sua forma, o seu andar, o seu perfil, a sua elegância e juventude.
Nada disto se exprime directamente. Mas subjaze a todo o discurso acerca do
protótipo humano.
Depois vem o trabalho, a tecnologia, a concepção de rentabilidade, o triunfo
dos mais fortes, a concorrência e a agressividade do mercado. Cada vez se
inventam mais prateleiras para arrumar velhos prematuros, inadaptados aos
novos circuitos. A reforma é, quantas vezes, um subterfúgio para limpeza
étnica de quarentões, para os retirar das vitrinas de gala e dos grandes
mostruários humanos e empresariais. Acresce a rapidíssima desactualização de
quem pare por um momento sequer. Se tem uma gripe mais forte e uma
interrupção forçada, quando tenta regressar já tem o seu lugar ocupado e as
linguagens alteradas de tal forma que nada entende sem uma reciclagem de
urgência.
Se recuarmos às sociedades rurais ou tribais, vamos encontrar o velho ancião
como o primeiro da comunidade. A sua sabedoria acumulada e a sua autoridade
encanecida harmonizam as crianças e os jovens. O conselho dos mais velhos é
uma peça fundamental no tecer da tradição das comunidades e da continuidade
das linhas vitais dum povo. Não importa, de todo, enaltecer os velhos e
denegrir os jovens. Mas temos de estar atentos a um certo movimento de
aceleração do tempo aplicado às pessoas, de tal forma que, caído o verniz da
juventude, rapidamente se decreta falência forçada e renúncia à própria
vida. Como se a perda da juventude fosse um imperativo de “desligar a
máquina”. Uma espécie de eutanásia de conveniência...
Não terá sido esta, a lógica que imperou num recente clamor mediático a
exigir a renúncia de João Paulo II? Como se não estivessem accionados todos
os mecanismos canónicos que aconselham, se necessário, o fim de uma missão,
mesmo do Papa...

António Rego, Ecclesia


 

DA EUTANÁSIA

A eutanásia passou a ser permitida na Holanda! 0 Parlamento holandês (com 46 votos a favor e 28 contra) sancionou a lei que aprova o direito à morte, sob condições, nos doentes com doenças incuráveis e a sofrerem em condições desumanas e que, desejando por fim à vida, o requeiram. É o sinal duma sociedade alienada numa nação da velha Europa de tradição cristã!

E quem vão ser os executores dessas mortes? Pretende-se que sejam os médicos. Assim, dos médicos fazem-se carrascos, e dos doentes fazem-se sentenciados de morte por si próprios declarados tais.

A minha consciência médica, alicerçada em mais de 45 anos de prática clínica, levanta-se indignada contra tal lei, por atentatória da dignidade do médico, e por ser sancionadora do homicídio. 0 médico só pode ser a pessoa que cuida e trata do doente, e a quem incumbe naturalmente também acompanhá-lo no fim da vida, sejam quais forem as condições em que a morte se aproxime, mesmo que em situações prolongadas de grande inferioridade física. 0 médico tem sempre muito a fazer. Nenhuma pessoa tem o direito de por fim à sua vida. Isso não cabe no direito de autonomia da pessoa, ou seja, no uso da liberdade. 0 verdadeiro médico de família, objecto da ilimitada confiança dos seus doentes, sabe que entre as suas funções não é a menos nobre a de os assistir no percurso final da vida, e, de forma importantíssima, nos momentos de expiração. Assisti na minha prática médica à morte de muitos dos meus doentes. Nunca deixei que um doente se debatesse com dores sem que o aliviasse com medicamentos prudentemente administrados tentando não abreviar a morte, nem que se esgotasse em esforços de respiração que não o assistisse com meios ventilatórios, nem que se afogasse par acumulação de secreções que as não aspirasse. Muitas vezes rodeado dos entes queridos, o médico nunca é a mais, antes pelo contrário, é a fonte de enorme segurança, de conforto espiritual e de paz quer para o doente como para a sua família. E ao passar-lhe a mão pela fronte, ou ao dar-lhe a mão, o médico pode sempre segredar-lhe palavras de conforto, pela amizade que lhe prova nesses momentos, pelo que também lhe possa relembrar sobre o sentido da vida e das razões sobrenaturais da esperança em que deve manter-se, serenamente, palavras que poderão ser sempre verdadeiro refrigério para quem está no dealbar da morte. Hão-de me dizer como será olhado amanhã o médico que chega, não para aliviar e confortar, mas para matar! Hão-de me dizer os médicos que se disponham a matar um seu doente como se sentirão depois de provocarem uma morte. A um amigo? E não só! Que médico será capaz de tal?

Na cultura cristã sempre se disse, e defendeu, que a vida é um Dom, uma dádiva de Deus, e que, sendo o fenómeno maravilhoso que é, ao homem cumpre defendê-la e utilizá-la para o bem. E na aparente inutilidade do sofrimento quanto bem pode vir pela junção possível desse sofrimento ao próprio sofrimento de Cristo? (Suffering is wasted if we suffer interely alone. Those who do not know Christ suffer alone-0 sofrimento é perdido se sofrermos inteiramente sozinhos. Quem não conhece Cristo, sofre inteiramente sozinho. Thomas Merton, in No man is an island, Edit Harcout Breco & Co., 1955, pp 85).

Levi Guerra, Voz Portucalense,

25. Abril. 2001