Sobre um editoral do
“Público” de Amilcar Correia de 7 de Outubro de 2003
Lisboa,
9 de Outubro de 2003
Exmo Senhor
Dr. José Manuel Fernandes
Director do Jornal Público
Na passada 3ª feira o Editorial do Público
versava sobre a decisão da Associação dos Farmacêuticos Católicos de não
vender a pílula do dia seguinte e a o dispositivo intra-uterino. Esta decisão
assenta no facto de quer aquela pílula quer o dispositivo intra-uterino ao
impedirem a nidação do embrião no utero materno provocam a interrupção da
gravidez ou seja um aborto.
Até aqui tudo bem. O Editorial
assinala que uma associação católica tomou uma atitude coerente com os
valores que defende. O facto em si não é sequer notícia mas, por outro lado,
a coerência é hoje notícia que merece destaque face à falta de verticalidade
e de frontalidade que grassa no nosso país, onde todos “ajustam” os seus
valores face a interesses menores - tipicamente materiais.
Não posso contudo deixar de lamentar
que o Editorial contenha um erro técnico tão grosseiro que até parece ter
sido propositado. Segundo o Editorial teríamos “dois tipos de farmacêuticos
em Portugal: os que vendem e os que não vendem anticonceptivos”. Não sei
quantos tipos de farmácias é que existem, nem me interessa, mas sei - e o Público
devia saber porque é escrito pelos próprios fabricantes desses produtos - que
um dos seus efeitos é o de interromper a gravidez de um bébé. Ou seja não são
produtos anticonceptivos mas sim produtos abortivos actuam também depois da
concepção. É “apenas” a diferença entre a vida e a morte. E por isso
nada tem a ver com pensos rápidos, escovas de dentes ou vacinas da gripe com
que depois o Editorial continua em manifesto descarrilamento.
Curiosa também a forma como o Público
atacou esta decisão e nunca censurou a APF por distribuir sem receita médica pílulas
do dias seguinte que por lei exigem receita médica. É estranho? Sinal de tolerância
desviante?
Com os melhores cumprimentos
Pedro Líbano Monteiro
Juntos pela Vida