APENAS UMA MENSAGEM DE BOAS INTENÇÕES???
Decidiu o Senhor
Presidente da República promulgar a Lei 19/X,
enviando uma mensagem à Assembleia da República.
Vimos declarar o
seguinte:
-
A lei emanada da
Assembleia da República em consequência do
referendo ao aborto no passado dia 11 de
Fevereiro defrauda todos os portugueses, os que
votaram e os que o não fizeram: aqueles que se
abstiveram e que, por qualquer razão, se
coibiram da pronúncia sobre a alteração da lei
do aborto; aqueles que votaram NÃO, mas
sobretudo os que optaram pelo voto SIM,
confiantes numa lei equilibrada, que
salvaguardasse alguns dos valores
civilizacionais que geraram consenso durante a
campanha eleitoral, como sejam o direito à
vida do bebé por nascer e o
acompanhamento das mulheres, nomeadamente a
apresentação de alternativas, decorrentes da
certeza de que é sempre preferível para todos os
intervenientes o apoio e a ajuda para que a
mulher possa levar a sua gravidez por diante.
-
Na mensagem
enviada à A.R., sublinha todas as razões da
campanha cívica do NÃO: não obstante os
condicionalismos políticos no resultado
referendário, como sejam a elevada abstenção e o
facto de que apenas 25% dos portugueses se
pronunciaram claramente pela alteração da lei,
não podem os titulares do poder regulamentar
olvidar que:
a)
Há
diversos interesses a ter em conta no processo que
agora se avizinha, sendo o PR muito claro quanto à
necessidade de informação abrangente para poder a
mulher proceder ao “consentimento informado” –
visionamento de ecografia, informação sobre os
métodos abortivos e as consequências reais do aborto
na sua saúde física e psíquica.
b)
O papel
do profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos,
para que não sejam excluídos da decisão, podendo ser
agentes fundamentais da dissuasão da dramática
decisão pelo aborto; frisa ainda a incongruência da
decisão legislativa quanto à exclusão dos objectores
de consciência, que deverão de facto ter um papel
preponderante nas unidades de saúde que pratiquem
abortos.
c)
As
políticas de natalidade e de apoio à maternidade são
agora, mais que nunca, uma urgência na nossa
sociedade, para que a vida intra-uterina possa ver o
baluarte do direito à vida como uma realidade e não
como letra morta. Relembramos a Petição Mais Vida
Mais Família com cerca de 217 mil subscritores que
jaz no Parlamento desde Março de 2004.
-
Não deixamos porém
de criticar a decisão do Presidente da
República: é lamentável que a democracia deva
deixar-se esmagar por manobras ideológicas,
deixando a pouco e pouco que se eliminem diante
dos nossos olhos os valores fundamentais que
foram e são bandeira da génese da própria
sociedade democrática.
Esta decisiva mensagem
poderá ser também ela letra morta no quadro
legislativo, sem qualquer obrigação vinculativa.
Face à magnitude dos
problemas levantados pelo PR não basta apenas enviar
uma mensagem de boas intenções que, na prática, não
tem qualquer eficácia prática.
Esta lei é má, é uma
falsa solução para os problemas que, como sempre
dissemos, persistirão: o aborto deve ser combatido
nas suas causas porque, como diz o Senhor Presidente
da República, “é um mal social a prevenir” e não a
proclamar!
Cá estaremos, mais uma
vez, quando virmos acontecer em Portugal o que por
toda a Europa se tem tornado nítido: o aumento do
número de abortos, as vidas das nossas mulheres
feridas pela chaga do aborto e um Portugal sem
filhos.
Associação Juntos Pela
Vida
Associação
Lisboa, 10 de Abril de
2007