FALTA DE BOM
SENSO OU A TENDÊNCIA PARA O LÁPIS AZUL?
COMUNICADO
1. Vimos agora
quebrar um período de silêncio boquiaberto pelo que se tem passado no nosso
Parlamento, a propósito da “golpada” democrática sobre as questões da PMA.
2. Entregues
as cerca de 80 mil assinaturas recolhidas durante 3 meses que configuram a
Petição de Referendo, o PAR iniciou o seu processo de admissibilidade.
Enviou-a para a Comissão de Saúde, que duvidosa, a remeteu para a Comissão
de Assuntos Constitucionais, vindo esta a pronunciar-se pela não
admissibilidade! Depois a Comissão da Saúde pôs aspas no parecer da primeira
Comissão.
3. E pronto!
Os nossos deputados ao fim de 2 semanas de estudo, deitaram a primeira
iniciativa de referendo de iniciativa popular para o lixo e com ela 80 mil
assinaturas.
4. O relator,
Vitalino Canas, enumera para tal várias razões, a que parece chamar
incumprimento de requisitos legais. O requisito que se esquece, começamos
por dizer, é o bom senso a todos os seres humanos, deputados ou não.
5. Vitalino
Canas refere a falta de clareza e precisão das perguntas elaboradas. Deve-se
ter esquecido da pergunta que fez por ocasião do projecto de referendo ao
Tratado Constitucional Europeu (chumbada pelo STJ para quem não se lembra).
6. Logo
depois, surge a questão da interrupção do processo legislativo, que parece
suscitar dúvidas a todos os que sobre ela se pronunciaram. Tendo a Petição
sido entregue às 9h00 na AR, os deputados procederam à votação final global
no Plenário da mesma tarde.
7. O que está
em causa é a interpretação de um preceito que consubstancia a oportunidade
da entrada da petição antes da aprovação definitiva do diploma? Não, o que
está em causa é a falta de bom senso, senão vejamos: todos os deputados
tiveram conhecimento da entrada da petição no Parlamento. Todos os deputados
conheciam a lei de fio a pavio, alegando que deveria ter sido cumprida. Mas
a soberba maioria parlamentar considera que os prazos legais são objecto de
cumprimento
rígido. Já o
mesmo não se passa quanto às mais de 217 mil assinaturas da Petição Mais
vida Mais Família, entregues em 2004, que apenas esta semana foram
apreciadas!!!
8. De facto, o
que está em causa é uma trapalhada da autoria dos deputados sobre prazos e
requisitos, desdenhando pura e simplesmente a vontade do povo. O mesmo povo
que legitima as suas funções em eleições democráticas. Pelos vistos, a
iniciativa popular, Vitalino Canas denomina “sistema de coordenação entre
(…) mecanismos [de democracia directa e representativa]”, é apenas
instrumento de conveniência dos deputados.
9. Agora,
Jaime Gama vem tentar corrigir a mão dos deputados do “lápis azul”,
introduzindo alguma decência neste processo absurdo e desrespeitoso. Ainda
bem.
10. Finalmente
apelamos a todos os intervenientes para que não tenham medo de um verdadeiro
debate público sobre PMA. Só assim será possível alcançar uma Lei com amplo
consenso nacional e tecnicamente ajustada à realidade científica do Sec XXI.
Juntos Pela Vida
Associação
5 Julho 2006
Contactos
Tlm: 917233335
Email: jpv@geocities.com
www.juntospelavida.org