Algumas estatísticas relevantes

 

1. Quem e porque razão se aborta em Portugal?

O estudo "Contributo para o estudo da epidemologia da IVG", Teresa Tomé, Coimbra, 1997 foi baseado num inquérito realizado a 315 mulheres (16-46 anos) nas "clínicas" de duas parteiras da zona centro do país. Este estudo mostra claramente que os chamados "caso difíceis" (aliás, totalmente cobertos pela lei já existente), são pouco significativos em relação a outras razões mais "fúteis" para abortar. As percentagens são as seguintes:

  1. Não querer mais filhos - 40,3%
  2. Não querer filhos para já - 14,3%
  3. Ser muito nova - 11,4%
  4. Problemas de saúde - 7,0%
  5. O curso está primeiro - 6,7%
  6. Problemas sociais - 6,0%
  7. Problemas familiares - 4,8%
  8. Problemas económicos - 4,4%
  9. Não querer ter filhos - 2,0%
  10. Outros motivos - 3,2%

Além disso, segundo o mesmo estudo (p. 45, conclusão 2): "abortaram independentemente da sua situação profissional, do seu nível sócio-económico, das suas habilitações [...]".

 

2. Mortes por aborto clandestino

Em Portugal não existem números oficiais de mortes por aborto clandestino. Os únicos dados oficiais são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e dizem respeito a essa e a outras causas de morte: "Complicações da gravidez, parto e puerpério".

Ano Mortes em mulheres dos 15 aos 44 anos Mortes em mulheres dos 15 aos 19 anos (adolescentes)
93 7 0
94 10 0
95 9 1
96 6 0

Será o aborto clandestino a maior causa de morte de adolescentes? Segunda maior de mulheres adultas?