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Ano I, nº 1, Janeiro de 2000 |
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NÃO DESISTEM DA DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO
O debate sobre a despenalização
do aborto que envolveu toda a sociedade portuguesa acalmou assim que foram
conhecidos os resultados do referendo de 28 de Junho de 1998. Os portugueses
disseram "Não" à liberalização, se bem que a percentagem de
votantes no primeiro referendo realizado em Portugal tenha sido muito pequena.
Isto abriu caminho a que os defensores das teses liberalizadoras voltassem a
insistir nesta matéria no início da presentes legislatura. As instâncias da
Presidência da República e do Governo vêem no entanto com algum incómodo
esse regresso antes das Eleições Presidenciais de Janeiro de 2001. Isto
porque, não só se trata de um resultado muito recente, como a votação do
"Não" continua a funcionar como forte aviso da sociedade à classe
política.
Durante a discussão do
Programa do Governo, no passado dia 3 de Novembro, o Primeiro-ministro foi
confrontado no hemiciclo com a questão do aborto, que como se sabe o separa do
seu próprio partido, uma vez que António Guterres é contra o alargamento de
prazos e a liberalização do aborto, enquanto muitos deputados do PS são favoráveis.
Mas, o debate foi esclarecedor sobre quais são as intenções do
governante nesta matéria, depois de insistentemente questionado pelos
presidentes do PSD e do CDS-PP. Em resposta, António Guterres deu a entender
que haverá um «período de nojo que deve ser respeitado sob pena do eleitorado
não compreender o funcionamento das instituições democráticas». Ou seja, o
Primeiro-ministro tudo fará para que o PS «esqueça» por enquanto este
assunto melindroso e «faça uso da sua longa tradição democrática» para não
impor aos portugueses uma opção contrária à que exprimiram por meio do
referendo. Politicamente, o que o líder socialista pretende mostrar é que adia
uma nova discussão acesa na opinião pública, enquanto remete ao silêncio uma
eventual controvérsia partidária que não pretende de forma nenhuma ver
levantada agora. Desta maneira, os restantes partidos apoiantes da despenalização
do aborto - PCP, PEV e BE – ficam isolados, já que mesmo apresentando os seus
projectos não terão certamente o apoio dos 115 deputados socialistas.
Este é o cenário mais
imediato. Contudo, a «Esquerda» parlamentar não vai descansar. No dia 18 de
Novembro, o PCP entregou no Parlamento o seu projecto de despenalização, como
havia anunciado. O Bloco de Esquerda também já anunciou que vai entregar a sua
proposta, aguardando-se qual será a movimentação da Juventude Socialista. Em
contrapartida, a «Direita» também não ficará quieta. O presidente do
CDS-PP, Paulo Portas já condicionou a aprovação de várias medidas
governativas à garantia de que o PS não levantará, de novo, a discussão de
matérias que ponham em causa a defesa da vida. O seu grupo parlamentar já
entregou na Assembleia da República um conjunto de iniciativas de protecção
à maternidade denominado "Mecenato para a Vida". Logo após as eleições
legislativas, numa audiência com o Presidente da República, Jorge Sampaio,
Portas defendeu que «não é admissível que depois de o País se ter
pronunciado em referendo contra a liberalização total do aborto, alguém tente
por via parlamentar contrariar a vontade expressa em referendo». Estas palavras
levam a crer que se alguma vez o debate sobre o aborto se voltar a instalar,
regressa imediatamente a ameaça de novo referendo. Isto mesmo deixou
transparecer também o presidente do PSD, Durão Barroso, que no debate sobre a
discussão do Programa de Governo, defendeu que os portugueses terão que ser
chamados a pronunciar-se.
Feito o balanço, fica claro
que os partidos mantêm as suas "causas". Mas, a sociedade civil também
se deve preparar para responder à investida política nas questões da vida.
Isto porque os apoiantes da causa da despenalização do aborto, que são os
mesmos que também defendem a despenalização dos consumo de drogas e a eutanásia,
estão a preparar terreno para a criação de um consenso alargado na sociedade.
Maria
Furtado

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DESAFIO AOS DEFENSORES DA LIBERALIZAÇÃO
Perante as persistentes e
incompreensíveis insistências, da parte dos partidários da liberalização do
aborto, para que, outra vez, se sujeite a votação, na Assembleia da República,
um novo (?) projecto de lei, impõe-se uma tomada de posição daqueles que,
desde sempre, se empenharam na defesa da Vida.
A nossa primeira reacção é
de incredulidade e espanto. Incredulidade perante o facto, revelado por estas
iniciativas, de uma total falta de razoabilidade, por parte de alguns políticos
e deputados. Custa ver como parecem dispostos a utilizar certos temas e
instrumentos para fins que contraditam os princípios, por eles, apregoados. Dói,
que sem atenderem à gravidade e delicadeza do que está em questão (a situação
dramática de uma mulher completamente sozinha e desamparada perante a sua
gravidez) se mostrem decididos a resolver contendas internas, esgrimindo as
causas mais imediatamente instrumentalizáveis.
Espanto perante uma
persistente vontade de lançar o sistema democrático em descrédito,
abastardando a instituição do referendo e abusando do mandato de deputados.
Quem voltará a votar num referendo se na legislatura seguinte a Assembleia
puder sempre "corrigir" a vontade livremente expressa, porque o povo
votou "mal"? Quanto ao mandato de deputado, gera-se um clima de
impunidade que, como parece ter ficado bem patente nestas ultimas eleições
legislativas, é, também, possibilitado por uma profunda falta de exigência de
muitos actores sociais e de tantas pessoas individuais.
Reagimos, ainda, com uma certa
desilusão, mas também com profunda determinação. Desilusão porque, depois
de um debate que ocupou, recentemente, cerca de dois anos da vida política
portuguesa, não houve, da parte dos partidos políticos, praticamente, nenhuma
iniciativa concreta de apoio às mulheres e crianças em dificuldade. Nada se
faz quanto às causas, só se tentam piorar os efeitos!
Determinação porque,
empenhados como estamos (não desde ontem, mas desde o primeiro debate dos anos
oitenta, e até antes dele), no apoio concreto às mulheres e crianças em
dificuldade, e na educação da juventude, continuamos decididos, não só a
prosseguir, com a mesma dedicação, esta acção efectiva de ajuda (na qual
nunca encontramos nenhum dos defensores da liberalização), mas, também, a
batermo-nos pacífica e firmemente por políticas e leis que promovam a defesa
da vida e da dignidade de cada ser humano, desde a sua concepção até ao seu
termo natural.
Em Junho de 1998, afirmámos
publicamente que não descansaríamos enquanto, nas nossas cidades e terras,
houvesse uma só mulher que pudesse dizer que tinha abortado por não ter
encontrado quem a ajudasse. Tomámos esse compromisso e temo-lo respeitado.
Desde então, às instituições já existentes veio somar-se dezena e meia de
outras, cujo fim é o apoio e amparo das mulheres que se encontram em face deste
drama e das crianças abandonadas e em risco. […]
Porque a realidade é mais
forte do que as teorias e os rostos concretos mais importantes que os interesses
e a demagogia.
António Maria Pinheiro
Torres
Fundador dos Juntos pela Vida
”Público”, 24.10.1999
PS:
Se o resultado do referendo de Junho de 1998 tivesse sido o oposto ser-nos-ia
admitido pela mentalidade dominante que o colocássemos agora em questão?
BREVES
Um agradecimento fora do comum...
No
início de Novembro passado, o Dr. Joseph Bruner da Universidade de Vanderbilt,
em Nashville (E.U.A.), encontrava-se a operar Samuel Armas quando este resolve
agradecer-lhe... O espantoso é que o Samuel tinha na altura 21 semanas de gestação.
Foi, portanto, uma operação fetal que se deveu ao Samuel sofrer de uma doença
muito grave: espinha bífida. O agradecimento foi um simpático “aperto de
dedo” que ficou registado para a posterioridade por uma máquina fotográfica
atenta (http://www.terravista.pt/enseada/1881/milagre.html).
A cadeia de televisão americana Fox TV proibiu um seu jornalista de mostrar a
fotografia.

O
“Expresso” de 13.11.1999 noticiou que nalguns hospitais e maternidades públicos
um medicamento contra úlceras tem sido receitado para causar abortos nos 3
primeiros meses de gravidez. O artigo dá a entender que os abortos assim
realizados são ilegais, não se enquadram nos casos previstos na lei. Além
disso, a própria empresa que o comercializa diz que o medicamento não se
destina nem foi testado para realizar abortos de forma que o seu uso com esse
fim é extremamente perigoso.
Aprender
antes de nascer
O “Diário
de Notícias” de 10.11.1999 conta que é possível “aprender” antes de
nascer. O Instituto da Inteligência vai promover, em Lisboa e no Porto, um
programa de desenvolvimento neuropsicológico para grávidas. Segundo o seu
director, os factores ambientais e emocionais a que estão sujeitos os bebés não
nascidos podem influenciar em cerca de 30% a sua inteligência e criatividade
futuras.
No
passado dia 25.06.1999, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa emitiu
uma recomendação aprovada por ampla maioria no sentido de que os estados
membros proibam a eutanásia e garantam o acesso de todos os doentes terminais
aos cuidados paliativos (cuidados a doentes em fase terminal da vida e em
sofrimento).
A recomendação 1418 tem por
título "Protecção dos direitos humanos e da dignidade dos doentes
terminais e moribundos". Apela a que os governos tomem medidas legislativas
e políticas de forma a assegurar "o direito à vida, em especial dos
doentes incuráveis e moribundos". Nesse sentido, exorta a "manter a
proibição absoluta de pôr fim intencionalmente à vida dos doentes incuráveis
e dos moribundos".
OS FRUTOS DO REFERENDO
Na
campanha do referendo do aborto de 1998 os defensores da Vida prometeram fazer
centros de apoio e acolhimento para grávidas e bebés em situação de risco.
Apresentamos algumas das instituições desse género que apareceram durante a
campanha e após o referendo: os frutos do referendo...
Localidade:
Lisboa
Fundação: Janeiro de 1999
Telef: 21 397 8117
Email: pavida@sapo.pt
O
“Ponto de Apoio à Vida” é uma Instituição Particular de Solidariedade
Social que dá apoio a adolescentes e mulheres grávidas em situação de risco.
Tem um centro de atendimento em Lisboa.
Localidade:
Lisboa
Fundação: Março de 1998
Telef: 21 362 8276
Email: ajudadeberco@mail.telepac.pt
A
Associação “Ajuda de Berço” é uma Instituição Particular de
Solidariedade Social, fundada em 1998, que surge para dar um berço a crianças
abandonadas ou que sem esta ajuda poderiam não chegar a nascer. Tem uma residência
para bebés até três anos em Lisboa.
Localidade:
Faro
Fundação: Junho da 1998
Telef: 289 812 812 (24 horas/dia)
O
“S.O.S. Apoio à Grávida” dá apoio a grávidas em situação de risco e
aos seus bebés. Tem uma casa de acolhimento em Portimão e outra em
Alcantarilha. Em breve irá começar a construção de uma terceira, a primeira
de raiz.
TUDO
PELA VIDA
Localidade:
Famalicão, Barcelos, Braga
Fundação: 1999
Telef: 252 377 377
Email: tudo.pela.vida@mail.telepac.pt
A
Associação Cívica “Tudo pela Vida” dá apoio e ajuda em todas as situações
em que a Vida ou a sua dignidade se encontrem ameaçadas. Realizam palestras e
debates relacionados com estes temas. Tem um centro de atendimento em Vila Nova
de Famalicão.
Localidade:
Paredes (Porto)
Fundação: 1999
Telef.: 255 782 032
Email: maternidadevida@oninet.pt
A
Associação “Maternidade e Vida” dá apoio a grávidas em situação de
risco. Está neste momento a preparar um centro de atendimento em Paredes e tem
mais dois em vista, em Valongo e Viseu.
Localidade:
Lisboa
Fundação: 1991
Telef.: 21 395 2143 (SOS Grávida)
A
“Ajuda de Mãe” é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que
dá apoio e aconselhamento a grávidas em crise. Apesar de não ser uma instituição
surgida na altura do referendo, abriu uma nova residência temporária para grávidas
em dificuldades em 1998. Tem duas residências desse tipo.
Linha
MDV – RENASCENÇA VIDA
Localidade:
Lisboa
Fundação: Junho de 1998
Telef: 21 793 6722 (entre as 12h e as 18h00)
A
“Linha MDV – Renascença Vida” é uma linha telefónica que dá apoio a grávidas
em situação de risco e, quando necessário, encaminha-as para outras instituições.
CITAÇÕES
Sendo
o aborto uma coisa má, que deve ser evitada (e, com isso, todos estão de
acordo), o caminho certo não pode ser facilitá-lo.
Se uma coisa é má, há que combatê-la, preveni-la, dificultá-la - e não
simplificá-la.
Pode defender-se a despenalização do aborto com argumentos brilhantes - mas
essa argumentação será sempre prejudicada pelo facto de assentar numa base
falsa: a ideia de que, se um mal existe, devemos resignar-nos e dar melhores
condições aos que o praticam.
Se um mal existe, devemos combatê-lo e não facilitá-lo.
[...] A atitude de cedência permanente só pode levar à capitulação das
sociedades.
Através dessa atitude, vão-se tornando «naturais» algumas práticas que
todos consideram negativas.
José António Saraiva
“Expresso”, 13.11.1999
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Caros
amigos, Depois
de 2 anos de esforço permanente, os Juntos pela Vida têm ainda uma
Vinhamos pedir-vos uma contribuição para o pagamento dessa dívida.
Pedíamos um -
Por transferência bancária para a conta do BES:
nº 041/03497/001.8 Se
o desejarem podemos passar recibo. Para o efeito, por favor enviem-nos
os Muito obrigado!
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Uma entrevista de Margarida Brito Correia a
Maria
Teresa Seabra
directora do "Ponto de Apoio à Vida - Associação de Solidariedade
Social". 12.11.1999
Factos
da Vida: Como é que surgiu o “Ponto de Apoio à Vida “(PAV)?
Maria
Teresa Seabra: O PAV surgiu na sequência da campanha do referendo. Aliás,
surgiu antes, na sequência de todas as campanhas dos Juntos pela Vida, em que
se tornou claro que o facto de se falar no aborto e das mulheres que abortam tem
que nos interpelar. Por isso, achámos que não podíamos continuar a falar
sobre o aborto e não fazermos nada a favor das mulheres que são forçadas a
abortar. Resolvemos abrir este “Ponto de Apoio”, que é uma associação que
acolhe mulheres grávidas.
FDV:
O PAV funciona só em Lisboa, ou existe também noutras zonas do País?
MTS:
Há uma rede de Centros de Apoio à Vida (CAV). Há também uma quantidade
grande de organizações que já existiam antes destas. Há organizações
espalhadas pelo País, que dão apoio a mulheres grávidas, dão apoio a mães e
filhos. Depois do referendo nasceram alguns Centros de Apoio à Vida. Neste
momento, há um CAV no Algarve, que funciona maravilhosamente, já tendo nascido
oitenta e sete crianças nestes últimos dois anos, crianças de grávidas que
eles apoiaram. Existe um CAV em Paredes chamado Maternidade e Vida, que vai
agora abrir casas em Paredes, em
Valongo e em Viseu. Também existe o MDV-Renascença Vida, que é uma linha
telefónica que encaminha grávidas em dificuldades.
FDV:
O PAV aqui em Lisboa arrancou em Julho deste ano. Como é que tem funcionado
desde então?
MTS:
O PAV, em princípio, arrancou em Julho, mas como Agosto é um mês de férias,
começou em pleno em Setembro. Eu estava convencida que o funcionamento do PAV
era uma coisa bastante "arrumadinha", ou seja, uma grávida chegava,
dizia-me que tinha um problema, e resolvia-se o problema. Conforme vamos
trabalhando, vamos percebendo que as coisas não são simples: as grávidas estão
inseridas numa família e na sociedade e, portanto, quando damos apoio a uma grávida
estamos a dar apoio a uma quantidade de gente. Uma boa parte delas já são mães.
Nós
funcionamos aqui, na Sant'anna à Lapa, das 9.30 às 18.30 horas. A partir dessa
hora, faço reencaminhamento de chamadas para o meu telemóvel, por isso,
basicamente, funciona 24 horas por dia.
O
que fazemos é fornecer aquilo que nos é pedido, desde dar roupas, arranjar berços,
dar biberons, encontrar apoio legal, levá-las ao médico, ver que façam as
ecografias, as análises, e de arranjar empregos. Isso é mais difícil, por
estarem grávidas, mas já conseguimos arranjar empregos e casa para uma grávida.
Também as encaminhamos para cursos de formação, quando os há, nomeadamente
um curso da "Ajuda de Mãe". Fazemos aquilo que elas precisam, e
precisam das coisas mais variadas e, às vezes, mais extraordinárias.
FDV:
Que tipo de casos é que têm aparecido, mais concretamente? São pessoas
normalmente desempregadas, com grandes dificuldades? Pode apontar algum caso
concreto?
MTS:
Um caso concreto não posso apontar, porque é fundamental que as grávidas que
cá vêm percebam e saibam que o atendimento é absolutamente confidencial. Por
essa razão, não posso falar de nenhum caso específico. De qualquer modo,
posso dizer que efectivamente boa parte delas são desempregadas, portanto
precisariam de ajuda económica. Nós não damos dinheiro, aliás, não temos
para dar. Mas a maior parte das pessoas que cá vêm não sabem exactamente os
direitos que têm. E, apesar de tudo, hoje em dia, em Portugal, as grávidas têm
bastantes direitos, que ignoram. O nosso papel fundamental é perceber se já têm
o rendimento mínimo, se o pediram, se estão inscritas na Caixa, no Centro de
Saúde, se os filhos delas estão inscritos numa creche onde tenham direito a
pagar pouco ou a pagar menos, se já falaram com a assistente social da zona
delas, etc..
FDV:
Quais são os planos para o futuro do PAV?
MTS:
O principal plano... é um bocadinho difícil, porque começamos com uma
determinada ideia e vamo-nos apercebendo que a realidade não corresponde
exactamente a essa ideia. Aquilo que eu queria mesmo era ter uma casa onde
pudesse fazer acolhimento temporário. Existem já bastantes locais de
acolhimento para grávidas, mas muitas vezes têm de esperar uma semana ou 15
dias. Gostava de ter casas abertas para mães com filhos que não tenham para
onde ir. Mas a primeira coisa que quero é abrir uma casa de acolhimento temporário
para grávidas. Estou à espera de falar com o Dr. João Soares para lhe pedir
uma casa, que espero que ele me conceda, e depois espero arrancar com esse
projecto.
FDV:
Com que apoios é que o PAV conta? Com que instituições é que colabora mais
estreitamente?
MTS:
Até agora já temos o apoio que nos foi dado pelo Patriarcado [de Lisboa] no início
da nossa actividade. O Patriarcado deu-nos um dinheiro com o qual arrancámos,
mas que não é de maneira nenhuma suficiente para nos mantermos. Tenho
em vista a possibilidade de um protocolo com a Misericórdia de Lisboa que, a
efectivar-se, será de preciosa ajuda, e tenho a decorrer uma campanha de sócios
que também é uma boa ajuda para o nosso trabalho.
| Ponto
de Apoio à Vida Rua Santana à Lapa, 72 r/c 1200-799 Lisboa Tel.: 21 397 81 17 Email: pavida@sapo.pt Web: http://www.terravista.pt/AguaAlto/5650/ |
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