|
Ano 2, nº 9, Outubro de 2001 |
![]() |
A VINHA DE RAQUEL
Tratamento do Síndroma Pós-Aborto
O Trauma ou Síndroma Pós-Aborto afecta uma percentagem elevada das mulheres envolvidas nesse acto. Os seus efeitos são devastadores: depressão, tentativas de suicídio, ansiedade, pânico, pesadelos... (v. Factos da Vida nº 6). Tendo em conta que essa doença já afecta muita gente em Portugal, um conjunto de pessoas foi conhecer aos E.U.A. o retiro da "Vinha de Raquel".
O retiro da "Vinha de Raquel", "uma jornada psicológica e espiritual para a cura do trauma pós-aborto", foi desenvolvido pela Prof. Drª. Theresa Karminski Burke juntamente com Barbara Cullen. A Drª Theresa Burke, doutorada em aconselhamento psicológico, é a fundadora do "Center for Post Abortion Healing" (Centro de Cura Pós-aborto) e especialista em problemas de mulheres, gestão da culpa, abuso sexual, ansiedade, desordens alimentares, e gravidez interrompida. Dá aconselhamento individual, conjugal, a grupos e em retiros. Frequentemente lecciona sobre o trauma e a cura pós-aborto e orienta seminários de formação para profissionais. Em conjunto com o seu marido Kevin, coordena a "Mother’s Home" (Casa da Mãe), uma residência para grávidas de risco nos arredores de Nova Iorque.
No presente mês de Outubro vai-se realizar o primeiro retiro do género em Portugal. A esse propósito entrevistámos uma das organizadoras, a Drª Ana Luís da Silva.
Factos da Vida - Pode explicar-nos brevemente o que é o Trauma Pós-Aborto ou o Síndroma Pós-Aborto?
O Síndroma Pós-aborto consiste num conjunto de sintomas, de origem psicológica e espiritual, que vão desde a enxaqueca até às tentativas de suicídio, passando por pesadelos, alucinações e depressão grave, que ocorrem na mulher que abortou, ou ainda no pai da criança abortada, nos avós, amigos que aconselharam o aborto, e mesmo em médicos e pessoal auxiliar que tenha participado na sua realização.
Se estes sintomas não forem tratados e, pelo contrário, forem reprimidos, prolongam-se e tendem a agravar-se com o decorrer do tempo e a minar todas as relações interpessoais: do casal entre si, dos pais com os filhos vivos, do médico com os seus pacientes.

FdV - O que são e qual a finalidade dos retiros "Vinha de Raquel"?
Os retiros "Vinha de Raquel" são retiros orientados para a cura psicológica e espiritual do Síndroma Pós-aborto. Na raiz deste síndroma está o sentimento de culpa e a culpa resulta do corte radical e violento da relação da mãe (ou do pai) com o seu filho e da relação da mulher com Deus, Criador da Vida.
Independentemente da sua crença religiosa – e sublinho isto – a mulher sente culpa, necessidade de perdão e, por outro lado, o sentimento de que não é merecedora de tal dádiva (não se perdoa a si mesma).
Os retiros "Vinha de Raquel" são a resposta da Igreja a este problema. Calcula-se que são praticados anualmente cerca de 60 milhões de abortos em todo o mundo... o que corresponde a um envolvimento neste flagelo de cerca de 240 milhões de pessoas por ano. Dá que pensar.
FdV – Os retiros são só para as mulheres que tenham abortado ou também para outras pessoas envolvidas nesse drama ?
Os retiros "Vinha de Raquel" são indicados para a mulher que abortou, o pai da criança ou das crianças abortadas, ou outro familiar/amigo envolvido.
Os médicos e pessoal auxiliar necessitam de um tratamento específico (que também já existe, mas não em Portugal), através da Society of Centurions.
FdV – O Trauma Pós-aborto é algo assim tão intenso que não passe com o tempo e as distracções do dia-a-dia? Qual é a experiência das pessoas que frequentaram o retiro?
O Trauma Pós-aborto radica na relação biológica, psicológica e espiritual da mãe com o filho e, de um modo geral, de toda a pessoa humana com outra vida humana.
Quer aceitemos o dom da maternidade como dando à mulher um papel participante na criação da vida por vontade do Criador, quer o atribuamos a milhares de anos de especialização psicológica e física, a mulher está predisposta, pela sua natureza específica, para proteger, alimentar e cuidar do seu filho desde o momento da concepção. O seu corpo está preparado para acolher o novo ser humano e, não o podemos ignorar, o seu espírito também.
Por outro lado, todo o ser humano mentalmente equilibrado foi "programado" para respeitar e defender a vida humana, sobretudo a mais inocente e desprotegida.
A violência do aborto, que extermina o mais inocente e indefeso ser humano, faz da mulher outra vítima. Quer física, com sequelas que passam por infecções e esterilidade – Não há, de facto, aborto seguro. Porque o denominado "aborto legal", por oposição ao aborto clandestino também pode provocar estas sequelas – quer psicologicamente, com este síndroma.
Como já referi, o trauma da mulher que aborta não passa com o tempo ou com distracções. Ninguém tapa o sol com a peneira. O princípio da cura passa pela recordação da situação traumática que, consciente ou inconscientemente, se tenta esquecer. A aceitação da verdade leva à constatação de que se precisa de ajuda e, por sua vez, a aceitação dessa ajuda. Daí, passa-se pelo perdão, de Deus, do filho e de si própria, o reconhecimento daquela ou daquelas crianças como tendo existido e a sua dignificação como pessoas: com direito a um nome e a um lugar no coração da mãe que seja apenas seu. A mãe passará, ainda, pelo processo de luto, dignificará a morte dos seus filhos, prestando-lhes homenagem. Para a mulher que tem fé, ficará, ainda, com a certeza de que os seus filhos se encontram bem, junto de Deus.
A experiência dos retiros equivale a uma libertação. O aborto deixa de ser um peso insuportável, uma angústia permanente. O filho é humanizado, pelo que está "vivo" no coração de sua mãe. A mãe reconcilia-se com o seu filho, consigo própria e, muitas vezes, com Deus e com a Igreja.
O nível de cura – e quem cura é Jesus Cristo, presente e actuante em todo o retiro – pode ser o princípio de uma caminhada de recuperação ou ser total. O sofrimento, a tristeza e o luto continuam a fazer parte da vida. Mas já não é a culpa sem perdão, a angústia sem fim.
A gravura que ilustra a capa de um dos livros de David Reardon representa a mulher que abortou, fechada num quarto escuro sem saídas. Uma mão rodeada de luz abriu um buraco numa parede do quarto e estende-se para a mulher encurralada. Com a vivência do retiro, a vítima salta para fora desse quarto sem luz, sem porta e sem janelas para a luz, a vida, a alegria de viver.
FdV – Alguns defensores do aborto dizem que o Trauma Pós-aborto só surge em mulheres imaturas ou fracas, já o ouvi de viva voz. Além de tal afirmação ser uma manifesta falta de respeito pelas mulheres cujos direitos dizem defender, parece-lhe corresponder à verdade?
O Síndroma Pós-aborto manifesta-se, de diferentes modos, em 80% das mulheres que praticaram o aborto.
Por um lado, custa-me acreditar que, anualmente, 48 milhões de mulheres se revelem fracas e imaturas por sofrerem dos sintomas associados a este síndroma. É uma forma grosseira e desumana que os defensores do aborto têm para silenciar as vozes destas mulheres. É mais ou menos como dizer "Foste tu que quiseste abortar, por livre opção tua. Agora cala-te". É também uma forma de dizer "Apesar de toda a propaganda abortista com que foste bombardeada, em que te dissemos que tinhas o direito de abortar, em que te assegurámos que o filho que trazias no teu corpo não passava de um monte de células, em que espalhámos a palavra "tolerância" para abafar o total desinteresse que sentimos pelos teus verdadeiros problemas, em que calámos as vozes que te advertiam das consequências... não partilhamos qualquer responsabilidade nessa tua "livre" opção. Simplesmente, não queremos saber".
FdV – Onde e como surgiram esses retiros?
Estes retiros surgiram nos E.U.A., por iniciativa da Prof. Drª. Theresa Karminski Burke juntamente com Barbara Cullen que começaram a "Vinha de Raquel" na modalidade de grupo de apoio de 13 semanas, o qual foi, posteriormente adaptado para retiros de fim-de-semana.
Os retiros "Vinha de Raquel" vão começar a realizar-se periodicamente em Portugal. O primeiro é no fim de semana de 19 a 21 de Outubro, em Lisboa. Para mais informações e datas de retiros ligue ou escreva para:
Serviço Diocesano da Defesa da Vida
Departamento da Pastoral Familiar do Patriarcado
"Retiros da Vinha de Raquel"
Igreja de S.Pedro
2655-363 Ericeira
Tm: 91 7354602
E-mail: vinhaderaquel@email.com
Para mais informação sobre o Síndroma Pós-aborto ver os sites do Elliot Institute (http://www.afterabortion.org/) e dos Juntos pela Vida (http://go.to/juntospelavida).
ALGUNS TESTEMUNHOS
«Para uma mulher que sinta necessidade de perdoar-se a si própria por ter feito um aborto, este retiro é um presente maravilhoso que pode dar a si mesma. Há oportunidade de sentir a tristeza, o pesar e a vergonha juntamente com os outros homens e mulheres que passaram pelo mesmo. Vai ser capaz de transformar esta dor em esperança com a ajuda carinhosa de conselheiros que lhe prestam apoio. Não é forçada, a fazer o que quer que seja, mas é-lhe dado tempo para reflectir e abrir-se, gradualmente, ao processo de cura.»
«Durante 18 anos, fui perseguida por uma enorme culpa que ninguém conseguiu aliviar, atormentada por pensamentos de como é que aquela criança poderia ter sido. Através da minha participação na "Vinha de Raquel", consegui finalmente perdoar-me a mim mesma. Sei que Deus pacificou a minha mente, purificou o meu coração e lavou a minha culpa.»
«A Vinha de Raquel, deu-me a oportunidade de dignificar os meus filhos, dar-lhes um nome, chorar a minha perda... finalmente pude falar abertamente da minha culpa num ambiente repleto de amor»

|
Boletim informativo da Associação Juntos pela Vida * Correspondência: Apartado nº 52055, E.C. de Campo Grande, 1721-501 Lisboa * Tel.: 21 396 8567 * Correio electrónico: juntospelavida@gmail.com * WWW: http://go.to/juntospelavida * Editor: Miguel Pupo Correia * Redacção: João Araújo, Margarida Brito Correia, Maria Furtado, João Loureiro, Teresa André Loureiro, Vítor Rodrigo * Concepção gráfica: Paulo Emiliano * Pode ser reenviado, impresso e copiado |
BREVES
FEDERAÇÃO PORTUGAL PELA VIDA
Está em processo de constituição a "Federação Portugal pela Vida", que visa congregar os esforços das instituições que defendem a vida humana e a família em todo o país. A Federação está a ser criada por algumas das instituições que se bateram pelo Não no referendo do aborto: Vida Norte, Tudo pela Vida, Juntos pela Vida. Estão também a associar-se outras instituições de apoio concreto surgidas tanto antes como depois do referendo: Ponto de Apoio à Vida, Ajuda de Berço, ADAV, S.O.S. Vida, etc.
PÍLULA DO DIA SEGUINTE
Já há alguns meses um conjunto de instituições de solidariedade social foram chamadas a uma reunião por alguns Centros de Saúde da região de Lisboa. Qual não foi a surpresa dos seus representantes quando se encontraram nas instalações da Fargin, que comercializa em Portugal uma "pílula do dia seguinte", o Norlevo. Em vez de uma reunião com o Ministério de Saúde encontraram-se com o director de marketing do referido laboratório que pretendia promover o "produto" entre as populações alvo dessas instituições, sobretudo minorias étnicas migrantes. As instituições que assinassem o protocolo que lhes era proposto, receberiam à partida 500 contos. A história foi relatada n’O Independente de 11/05/2001.
Entretanto, em Junho a Associação Vida Norte apresentou um recurso junto do Tribunal Administrativo do Porto pedindo a anulação do acto que autorizou a comercialização da pílula do dia seguinte. O recurso, sustentado por diversos pareceres médico-científicos e jurídicos, diz que a autorização viola o artigo 24 da Constituição que diz que "a vida humana é inviolável" já que a dita "pílula" é abortiva. Viola também o artigo 133 do Código do Procedimento Administrativo que refere que a administração pública não pode praticar actos que violem a Constituição.
PÍLULA ABORTIVA MATA
Em Setembro soube-se que uma mulher canadiana morreu durante um teste da pílula abortiva RU 486, ou Mifepristone. O Population Council, não divulgou pormenores mas suspendeu o estudo. Além das possíveis complicações de médio/longo prazo, já eram conhecidos alguns casos de morte – de mães – causados pela RU 486.
GRAVIDEZ ADOLESCENTE
Muitas vezes quando se discute o aborto ou a "pílula do dia seguinte" existe o pressuposto de que o número de gravidezes entre as adolescentes está a subir. Não é verdade. Apresentamos gráficos com a evolução destes números feitos com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).




Gráficos gentilmente cedidos pelo Dr. Carlos Ramalheira.
MANIPULAR PALAVRAS PARA
MANIPULAR VIDAS
Indefinição semântica pretende ocultar a realidade biológica
O acto de manipular, e sobretudo o de destruir, um embrião humano antes da implantação no útero – até ao 14º dia aproximadamente – tem uma carga ética altamente negativa, pois na realidade não é outra coisa que manipular ou destruir uma vida humana nas suas primeiras etapas. Por isso, os que defendem a "contracepção de emergência" ou a clonagem estão a fazer um grande esforço para retirar ao embrião, nesses primeiros dias da sua vida, todo o valor ontológico que tem uma vida humana, para assim poderem actuar sobre ele sem nenhuma responsabilidade ética. E nessa tarefa uma das principais armas é a indefinição semântica.
O primeiro grande passo semântico deu-se em 1987 quando a Comissão Warnock (Inglaterra) aplicou o termo "pré-embrião" para designar o embrião humano na sua etapa pré-implantatória. Este termo é uma mera convenção, pois, no que se refere à sua realidade biológica, não existe nenhuma diferença entre um embrião de 14 dias e outro de 16, dois dias depois da sua implantação no útero da mãe.
Recentemente, tendo em conta as recomendações da Comissão Donaldson ao governo britânico no sentido de que se permitisse a chamada "clonagem terapêutica", dá-se mais um passo para disfarçar semanticamente a natureza do embrião humano. Assim, o terceiro ponto dessa recomendação afirma: "As pessoas cujos óvulos ou espermatozóides estejam implicados na criação do embrião destinado a experimentação deverão dar o seu consentimento por escrito, autorizando a que se utilizem os hemacitoblastos para investigação". Como se comprova, o embrião ainda não implantado é aqui denominado de hemacitoblasto, que na realidade não é mais nem menos do que o nome atribuído a um embrião nas suas etapas iniciais, quando tem aproximadamente 12 células; mas, sem dúvida que para o grande público não é o mesmo actuar sobre um embrião humano ou sobre um hemocitoblasto. Sobre aquele existem graves problemas éticos para actuar; sobre este não parece que existam barreiras éticas definidas, pela simples razão de que não se sabe bem o que significa esse nome e, sobretudo, porque não este não é associado a um ser humano vivo. É esta portanto, uma nova tentativa semântica de obscurecer a natureza biológica do embrião humano.
De todas as formas, não é este o único campo onde, pela indefinição semântica se trata de ocultar a realidade biológica de um acto médico concreto. Assim, ao aborto foi-lhe atribuído o nome de "interrupção voluntária da gravidez"; à pílula abortiva RU 486, "reguladora da menstruação", etc. Existe uma tendência intencional de disfarçar as palavras que em si mesmas promovem o debate ético mediante outras que, obscurecendo o verdadeiro significado da natureza do acto que se realiza, mitiguem o juízo ético. Assim, há que estar precavidos, pois atentar contra um embrião de 12 dias é o mesmo que atentar contra um pré-embrião ou um hemocitoblasto, e em todos os casos não é outra coisa que atentar contra uma vida humana. E isto todos sabemos que valoração ética merece.
In Zenit (tradução Infomail)
COLÉGIO MÉDICO AMERICANO
OPÕE-SE AO SUICÍDIO ASSISTIDO
O "American College of Physicians" anunciou recentemente a sua rejeição do suicídio assistido. A segunda maior organização médica americana junta-se assim à "American Medical Association", a primeira, que já tinha manifestado a mesma posição. Num artigo publicado em Agosto nos "Annals of Internal Medicine", o Dr. Daniel Sulmasy do A.C.P. afirma que esta organização acredita que os médicos devem sempre procurar formas de melhorar os cuidados aos pacientes terminais. "Temos de procurar resolver os problemas do tratamento inadequado no fim da vida, não evitá-los através de práticas como o suicídio assistido."
O artigo diz que para ajudar os pacientes a morrerem confortavelmente é preciso fornecer mais e melhores tratamentos contra a dor e o sofrimento, tratar a depressão de forma mais agressiva, e aumentar o acesso aos cuidados paliativos. O suicídio assistido afectaria gravemente a relação médico-paciente, poria em causa o papel do médico, e diminuiria o valor atribuído vida humana.
|
BOLETIM DE SUBSCRIÇÃO Nome:
_________________________________________________________ Telefone: ______________ [__]
Desejo receber o boletim durante 1 ano (6 números) pelo que envio a
quantia de 600$.
Pode
fazer a assinatura de duas formas:
·Pelo
correio: Envie
a ficha para Apartado nº 52055, E.C. de Campo Grande, 1721-501 Lisboa,
acompanhado por cheque ou vale postal à ordem de "Juntos pela
Vida".
·Pelo
Multibanco: Faça uma transferência no Multibanco para o NIB 0035.0197.00016373230.27
(seleccionar “Transferências” e “Transferência interbancária”).
Após a transferência diga-nos o seu nome, data e valor da transferência
para o nosso gravador de chamadas (tel. 96 729 6522) ou
por correio electrónico (juntospelavida@gmail.com
). Para receber por correio electrónico por favor envie o seu endereço de email para juntospelavida@gmail.com (gratuito). Este
boletim de subscrição pode ser fotocopiado ou os dados necessários |
Se tiver recebido este boletim por email e não desejar voltar a recebê-lo por favor responda a esta mensagem dizendo-o. Muito obrigado.