
TRAUMA
DO ABORTO E MAUS TRATOS SOBRE CRIANÇAS
Theresa
Karminski Burke e David C. Reardon
Os especialistas estão de acordo em que nos últimos 25 anos os maus tratos
a crianças aumentaram de forma dramática. Só entre 1976 e 1987 houve um
aumento de mais de 330% no número de casos de maus tratos registados [nos
E.U.A.]. Apesar de uma parte desse aumento se dever a uma melhoria no processo
de registo, os especialistas concordam em que esses números reflectem um
aumento real dos casos de maus tratos.
Esses
números contradizem de forma clara a afirmação dos defensores do aborto de
que o aborto de crianças “não desejadas” actua como forma de prevenção
dos abusos sobre crianças. Esquecendo a falta de lógica evidente do argumento
–de que é melhor matar crianças do que lhes bater—não há um único
estudo que suporte tal teoria. Pelo contrário, existe uma associação estatística
clara entre o crescimento do número de casos de aborto e do de maus tratos
sobre crianças. A investigação estatística e clínica não só suporta essa
associação como estabelece uma relação causal entre o aborto e os maus
tratos.(1)
Esses
estudos académicos, como toda a investigação, podem ser criticados como não
sendo suficientes para provar que o aborto cause maus tratos sobre crianças. No
entanto, essas conclusões são também suportadas pelos testemunhos de mulheres
e homens que relataram uma correlação directa entre os seus sentimentos depois
do aborto e maus tratos emocionais e físicos sobre os seus filhos vivos.
Por
exemplo, uma mulher descreveu sentimentos de enorme raiva sempre que o seu bebé
recém-nascido chorava: “Eu não compreendia porque é que o seu choro me
deixava tão furiosa. Era uma bebé encantadora e tinha uma personalidade calma.
O que não percebia na altura era que eu odiava a minha filha por ela ser capaz
de fazer todas as coisas que o bebé que perdi [abortado] nunca poderia
fazer.”(2)
As
razões para os maus tratos sobre crianças são complexas e não podem ser
inteiramente tratadas neste artigo. No entanto, se o aborto contribuiu para
sentimentos de depressão, auto-desprezo, ansiedade e raiva entre as mães e os
pais, já para não falar em abuso de drogas, os seus filhos terão certamente
um preço a pagar.
Abusos fatais
Nalgumas
circunstâncias o aborto pode levar a um total colapso emocional com resultados
trágicos. Por exemplo, Renee Nicely de New Jersey experimentou um “episódio
psicótico” no dia seguinte ao seu aborto que resultou no espancamento mortal
do seu filho de 3 anos, Shawn. Disse ao psiquiatra que “sabia que o aborto
estava errado” e “devia ser punida pelo aborto.” O psiquiatra, que era
testemunha de acusação, testemunhou que o homicídio estava claramente
relacionado com a reacção psicológica de Renee ao seu aborto. Infelizmente, a
vítima da sua raiva e auto-desprezo foi o seu próprio filho.(3)
Uma
tragédia semelhante ocorreu apenas uma semana após o segundo aborto de Donna
Fleming. Deprimida e perturbada, Donna “ouvia vozes” na sua cabeça e tentou
matar-se e aos seus dois filhos saltando da ponte de Long Beach, na California.
Donna e o seu filho de 5 anos foram salvos; o filho de 2 anos morreu. Mais tarde
Donna disse que tentou matar-se e aos seus filhos para “reunir a família”.(4)
Não
há razão para pensar que sejam casos isolados. De facto, nos próximos anos
pode vir a ser provado que o trauma pós-aborto foi uma causa importante do
aumento dramático dos casos de abusos sobre crianças nas últimas duas décadas.
O Dr.
Philip Ney, psiquiatra e professor da Universidade da British Columbia, foi sem
dúvida quem estudou mais longamente a relação entre o aborto e subsequentes
maus tratos sobre crianças. A maior parte da sua análise, e a de outros que
estudaram o problema, centrou-se no papel do aborto na destruição dos laços
afectivos com os outros filhos; no enfraquecimento do instinto materno; na redução
da resistência à violência, em particular para com crianças; e nos altos níveis
de cólera, raiva e depressão. É provável que todos esses factores tenham
contribuído para os níveis crescentes de maus tratos sobre crianças que se
seguiram à liberalização do aborto.
Neste
artigo pretendemos continuar o trabalho do Dr. Ney, e de outros, examinando com
mais detalhe os comportamentos compulsivos relacionados com abusos sobre crianças
que possam constituir uma reconstituição do aborto.
Porquê reconstituir o trauma?
As
experiências traumáticas são por definição esmagadoras, são
“demasiado” para uma pessoa lidar e compreender. A resposta ordinária ao
trauma consiste em banir a experiência da mente –fugir dela, esconder-se, ou
reprimi-la. Num primeiro nível, as vítimas de um trauma querem simplesmente
esquecê-lo e deixar definitivamente para trás a experiência.
No
entanto, em conflito com esta reacção de rejeição está também o sentimento
humano igualmente forte de querer perceber as suas experiências e de procurar
um sentido para elas. Logo, apesar de uma pessoa conscientemente escolher evitar
pensar sobre o sucedido, o seu subconsciente insiste em chamar a atenção para
o trauma. O seu subconsciente sabe que um trauma mal resolvido é um “negócio
inacabado”. Para que seja superado, o horror do trauma tem de ser exposto,
proclamado e compreendido.
Esta
tensão entre a necessidade de esconder o trauma e a necessidade de o expor está
no núcleo de muitos sintomas psicológicos do trauma pós-aborto. A reconstituição
simbólica é uma das formas que o subconsciente procura para simultaneamente
satisfazer essas duas necessidades: de expor o trauma e de o esconder. A
reconstituição permite à pessoa expor o trauma com a esperança de que a
exposição leve à sua compreensão e domínio. Ao mesmo tempo, como o trauma
é reconstituído sob uma máscara simbólica, a essência do trauma fica ainda
escondida e protegida. Por outras palavras, a reconstituição permite à pessoa
pedir ajuda mascarando a razão pela qual precisa dessa mesma ajuda.
Uma
especialista em trauma, a Drª Judith Lewis Herman, observou que a reconstituição
simbólica do trauma serve para “simultaneamente chamar a atenção para a
existência de um segredo inconfessável e desviar a atenção dele. Isto é
manifesto na forma como a pessoa traumatizada alterna entre sentir-se
entorpecida e reviver o acontecimento. A dialéctica do trauma gera alterações
complexas e estranhas de consciência... Resulta em sintomas erráticos, dramáticos
e frequentemente bizarros...”(5)
Pesadelo no infantário
Para
as mulheres traumatizadas pelo aborto, os maus tratos sobre crianças são um símbolo
natural para a reconstituição de um aborto mal resolvido. Por exemplo, Rhonda
era atormentada com a culpa e a vergonha de ter abortado cinco crianças. Começou
a acreditar que Deus queria que ela se redimisse do seu passado dando amor a
crianças que tivessem necessidade de quem tratasse delas. Tentou cumprir essa
obrigação fazendo um infantário na sua própria casa.
Enquanto
Rhonda tentava dominar o seu trauma psíquico dando amor às oito crianças sob
os seus cuidados, estas deixavam-na completamente exausta. Frequentemente
chegava ao fim do dia irritada e ansiosa. Rhonda relatou que ocasionalmente
perdia a cabeça com os bebés e descobria-se a bater-lhes ou a sacudi-los numa
mistura de fúria e frustração. Depois dessas explosões de violência, Rondha
sentava-se a um canto a chorar, convencida de que era uma pessoa horrível.
Colocando-se
numa situação de stress com esses bebés, Rondha recreou os seus
sentimentos de impotência e de incompetência com crianças, temas dominantes
nas suas decisões em abortar. As suas repetidas perdas de controlo com as crianças
confirmaram os seus sentimentos de auto-desprezo e desgosto. Os padrões de maus
tratos, seguidos de vergonha, sentimentos de culpa e sofrimento, espelhavam sob
o ponto de vista emocional as suas experiências de aborto com uma grande precisão.
Reconstituição através de pensamentos intrusivos
Dianne,
outra paciente à procura de aconselhamento pós-aborto, também teve um infantário.
Tratava das crianças em sua casa. Dianne relatou pensamentos intrusivos sobre
arrancar braços aos bebés dos seus encaixes. Sentia um forte desejo de agarrar
nos bracinhos e de os arrancar dos corpos. Tais pensamentos causavam-lhe
ansiedade e sofrimento terríveis. Cada vez que Dianne era confrontada com esses
pensamentos traumáticos ficava esmagada de horror e tristeza. Cada episódio
perturbador parecia-lhe confirmar que era uma pessoa repugnante e enchia o seu
coração de um sofrimento doentio.
Felizmente,
no aniversário do seu aborto, Dianne finalmente reconheceu a relação deste
com esses pensamentos. Num momento angustiante a verdade sobre o que lhe estava
a acontecer veio ao de cima e ela começou a chorar com o desgosto da sua perda.
Felizmente Dianne procurou ajuda para lidar com esse trauma reprimido e todos os
pensamentos que a assolavam cessaram.
Pensamentos
intrusivos como os de Dianne são comuns em vítimas de um trauma. Quando um
desses pensamentos advém é muito difícil tirá-lo da cabeça. Mais tarde a
pessoa questiona-se: “De onde é que essa imagem veio?” Como os sonhos e
fantasias, os pensamentos intrusivos contêm muitas vezes símbolos complexos do
trauma.
Com o
trauma do aborto, os pensamentos intrusivos podem inclusivamente incluir símbolos
do próprio procedimento do aborto. Kathy relatou a seguinte história:
“Eu
adoro os meus filhos. Não há nada que não fizesse por eles. Eles são tudo no
mundo para mim. Mas tenho pensamentos horríveis que me mortificam. É difícil
até falar sobre isso. Posso estar na cozinha a preparar o jantar e vêem-me
pensamentos sobre envenenar a sua comida. Imagino-os a reagir ao veneno e eu a
correr com eles para o hospital. Fico louca com sentimentos de culpa e de
vergonha. Depois imagino os médicos a descobrirem que eu fiz de propósito.
Chamam o meu marido e dizem-lhe que eu não devia ter crianças... que eu as
tinha tentado matar. Esses pensamentos assaltam-me a cabeça. São completamente
loucos... Não posso crer que tenha tais pensamentos. Fazem-me detestar-me.”
Kathy
inicialmente procurou aconselhamento devido a ataques de pânico. Começou a
relatar esse tipo de pensamentos, semana após semana, com enorme aflição. Era
difícil sequer mencionar o assunto sem chorar. Não foi nenhuma surpresa
descobrir que o seu passado incluía um aborto por solução salina. Ficou
visivelmente abalada quando falou sobre o assunto. Quando lhe perguntei sobre
como opera um aborto por solução salina, descreveu o procedimento como um
“envenenamento” do feto. [O procedimento consiste em injectar uma solução
salina no útero que envenena e queima o bebé, causando-lhe uma agonia que pode
durar várias horas. N. do E.]
Todos
os sintomas de Kathy apareceram depois do seu aborto. Através desses
pensamentos intrusivos, Kathy revivia continuamente a experiência emocional
desse mesmo aborto. Os episódios seguiam-se, magoando ou matando os seus filhos
vivos, e terminando com um sentimento de vergonha. A sua dor tinha-se complicado
e estava a vir à superfície através dessas fantasias intrusivas.
Kathy
é uma das mulheres mais gentis e doces que já conheci. Sei que foi imensamente
difícil para ela enfrentar esses pensamentos terríveis. Estou feliz por poder
dizer que essas impressões, que se prolongaram durante anos, terminaram quando
fez tratamento ao trauma pós-aborto.
O
caso de Emily é semelhante. Fez um aborto doze anos antes de se casar. Depois
disso recusou-se a pensar no assunto ou a fazer luto. Essa fuga aos seus
sentimentos funcionou bem até que começou a ter filhos. O seu primeiro flashback
atingiu-a violentamente quando fez a primeira ecografia grávida de uma
criança “desejada”. Com o andar do tempo, tinha frequentemente pensamentos
intrusivos relacionados com o seu aborto quando olhava para a cara dos seus bebés.
Passado algum tempo, começou também a experimentar pensamentos habituais,
obsessivos e assustadores sobre magoar os seus filhos. Imaginava-se a esfaquear
os seus filhos, um por um, a sufocá-los com almofadas, e a estrangulá-los.
Emily
é uma mãe encantadora e devotada, mas não conseguia fugir a esses pensamentos
violentos. Com o avançar do tempo tornaram-se mais elaborados e reais. Emily não
conseguia perceber o que se estava a passar. Estava chocada de se saber capaz de
tais pensamentos. Obviamente não tinha qualquer intenção de os levar à prática.
Mas os seus pensamentos intrusivos eram como animais raivosos, que perseguiam,
arranhavam e corroíam a sua consciência. Deixavam-na perturbada, louca e
envergonhada. Procurava desesperadamente silenciar esses animais perigosos na
sua mente. Felizmente, todos os sintomas ficaram aliviados quando Emily procurou
tratamento para o trauma pós-aborto.
Conclusão
Os
testemunhos de mulheres em primeira mão, combinados com casos de estudo terapêuticos
e relatos de casos criminais de maus tratos e até homicídios de crianças,
mostram de forma conclusiva que o trauma do aborto pode criar e agravar tendências
para abusos sobre crianças. Apesar de a maior parte das mulheres que têm
pensamentos intrusivos sobre maus tratos a crianças serem provavelmente capazes
de lhes resistir, o facto de ocorrerem é alarmante tanta por causa das crianças
como delas próprias. Mesmo que apenas uma pequena fracção dos milhões de
abortos realizados cada ano levem a maus tratos sobre crianças, em casa ou em
infantários, este problema tem necessariamente de nos preocupar.
Theresa
Karminski Burke, Ph.D., é psicoterapeuta. Os casos relatados neste artigo são
extraídos do seu livro Forbidden Grief. David C. Reardon, Ph.D., é
especialista em bioética e director do Elliot Institute.
Este artigo apareceu originalmente em The Post-Abortion Review, 6(1), 1998. Copyright 1998, Elliot Institute. http://www.afterabortion.org
NOTAS 1.
Ney, P. Fung, T., Wickett, A.R., “Relationship Between Induced Abortion and
Child Abuse and Neglect: Four Studies,” Pre- and Perinatal Psychology
Journal 8(1):43-63 Fall 1993; Benedict, M., White, R., and Cornely, P.,
“Maternal Perinatal Risk Factors and Child Abuse” Child Abuse and Neglect
9:217-224 (1985); Lewis, E., “Two Hidden Predisposing Factors in Child
Abuse,” Child Abuse and Neglect 3:327-330 (1979); Ney, P.,
“Relationship Between Abortion and Child Abuse,” Canadian J. Psychiatry 24:610-620(1979).
2. Reardon, D., Aborted Women, Silent No More (Chicago, Loyola
University Press, 1987) 130. 3. Ibid, 129-30. 4. McFadden, A.,
“The Link Between Abortion and Child Abuse,” Family Resources Center News
(January 1998) 20. 5. Judith Lewis Herman, M.D., Trauma and
Recovery (NY: Basic Books, 1992) 1-2.
A Doutora
Theresa Karminski Burke, autora do artigo, foi uma das criadoras dos retiros da
“Vinha de Raquel”, “uma jornada psicológica e espiritual para a cura do
trauma pós-aborto”. Estes retiros são realizados em Portugal pelo Serviço
de Defesa da Vida do Patriarcado de Lisboa.
Contacto:
Serviço Diocesano da Defesa da Vida (Patriarcado de Lisboa)
Tel.: 91 735 4602 – vinhaderaquel@email.com – www.rachelsvineyard.org
RELAÇÃO ABORTO-CANCRO DA MAMA
Drª Angela Lanfranchi
Quando em 1993 ouvi falar pela primeira vez da relação entre aborto [provocado] e cancro da mama julguei
que se tratava de uma fantasia pró-vida. “Estão loucos”, foi o meu
juízo imediato. Apesar disso comecei a questionar as minhas pacientes com
cancro da mama sobre as suas gravidezes e a sua trajectória. Os resultados
surpreenderam-me.
Nos primeiros seis meses tive duas pacientes na casa dos 30 anos com cancro
da mama; uma teve sete gravidezes e seis abortos e a outra cinco gravidezes e
três abortos. Continuei a ver mais mulheres jovens com antecedentes de aborto a
desenvolverem cancro na mama. Evidentemente poderia estar diante de um acaso
estatístico.
Em 1996, o professor Joel Brind, da Universidade de Nova York, publicou a
sua meta-análise, que revelou que 23 em 28 estudos monstravam uma relação
entre aborto e cancro da mama. O alvoroço que tal estudo provocou em
Grã-Gretanha, onde foi publicado no Journal
of Epidemiology and Community Health, levou o editor a escrever: “Admito
que todos aqueles que, como eu, têm convicções “pró-escolha” precisam
de, ao mesmo tempo, desenvolver uma convicção que poderia ser chamada de
“pró-informação”, evitando censuras paternalistas excessivas aos dados”.
De censura paternalista foi a minha experiência todas as vezes que tentei falar
nos meios científicos sobre a relação aborto-cancro da mama.
Cerca de 85% dos fumadores não desenvolvem cancro no pulmão. Os médicos
que advertem os seus pacientes fumadores do risco de cancro nos pulmões não
são considerados “mercenários do medo”. De igual modo, nem todas as
mulheres que fizeram abortos padecerão de cancro da mama, apenas 5%. E 95% das
pacientes com cancro da mama não terão um historial clínico de aborto. Mas
algumas mulheres têm um elevado risco de o contrair. E 5% são muitas mulheres.
Um estudo publicado em 1994 no Journal
of the National Cancer Institute mostrou que jovens com menos de 18 anos,
que abortem entre as 9 e as 24 semanas, têm cerca de 30% de probabilidade de
contrair cancro da mama durante a vida. A página web do US National Cancer
Institute sobre riscos reprodutivos, informa as mulheres de que existem estudos
que demonstram essa relação.
Muitas pessoas interrogam-me sobre abortos espontâneos no primeiro
trimestre de gravidez. Em relação aos efeitos sobre os seios, trata-se de um
caso diferente do aborto provocado sobre uma gravidez normal. O aborto
espontâneo não aumenta o risco de cancro da mama, dado que está associado a
baixos níveis de estrogénio. No entanto, quando a gravidez termina antes das
células mamárias alcançarem a sua plena maturidade, a mulher adquire mais
lóbulos mamários dos tipos 1 e 2 (glândulas lácteas) do que antes do início
da gravidez, pelo que esse risco aumenta. Os seus seios não amadureceram os
lóbulos 3 e 4, o que aconteceria no terceiro trimestre e diminuiria tal risco.
A ideologia não deveria impedir a divulgação destas informações. As
organizações australianas desajudam as mulheres a exercitar um consentimento
informado sempre que lhes negam o conhecimento destes dados. Há 3 acções
judiciais em curso nos EUA, interpostas por mulheres não advertidas para este
risco antes de abortarem.
Tenho 3 irmãs com cancro da mama e fico ofendida com as pessoas que
manipulam os dados científicos em proveito dos seus intuitos, sejam quem forem.
Gostava de não encontrar qualquer associação entre aborto e cancro da mama,
mas a nossa investigação é sólida e os nossos dados exactos. Não é uma
questão de acreditar. É uma questão de constatar.
A informação dá às mulheres a capacidade de fazerem escolhas informadas.
As mulheres que optam pelo aborto precisam de estar alerta em relação aos
riscos elevados, fazendo mamografias mais cedo e com maior regularidade. Os
cancros detectados em mamografias têm maior probabilidade de se encontrarem no
estádio inicial e de serem curados. Nenhuma mulher deveria morrer com cancro da
mama por não ter sido advertida a tempo para tal risco.
Vi a minha mãe morrer com metástases de cancro da mama. No exercício da
minha profissão vejo mulheres jovens com filhos pequenos morrer de cancro da
mama. Se a informação que eu presto às minhas pacientes evitar uma morte que
seja, com toda a alegria pago o preço de ser considerada uma “mercenária do
medo”.
A
Drª Angela Lanfranchi
é cirurgião da mama, membro do American College of Surgeons, e professora
assistente de Cirurgia no “Robert Wood Johnson Medical School” em New Jersey
Fonte:
The Age (Australia); Pro-Life Infonet
Mais informação sobre aborto e cancro da mama:
Coalition on Abortion/Breast Cancer: http://www.abortionbreastcancer.com/
Página do Dr. Joel Brind: http://www.abortioncancer.com/
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ABORTO
E MAUS TRATOS A CRIANÇAS
Por vezes ouve-se dizer algo como “Eu defendo o
aborto porque estou farto(a) de ver crianças abandonadas, maltratadas, a viver
na miséria mais absoluta, na droga e na prostituição. Se todas as crianças
fossem planeadas e desejadas, nada disto aconteceria e as próprias crianças
seriam muito mais felizes.” Será que faz sentido?
1. O
Dr. Philip Ney, professor de Psiquiatria da Universidade de British Columbia,
publicou um estudo onde estabelecia claramente que o aborto –e a aceitação
da violência que ele implica— levou a que tenha diminuído em muito a resistência
psíquica, dos pais, à tentação de maltratar ou abusar dos filhos nascidos.
P. Ney, “Relationship between Abortion & Child Abuse,” Canada
Jour. Psychiatry, vol. 24, 1979, pp. 610-620
2. O
Professor Edward Lenoski estudou 674 casos de crianças maltratadas que tiveram
de receber tratamento hospitalar. Para sua própria surpresa descobriu que 91%
das crianças tinham sido planeadas e desejadas. Em média, nos
EUA, só 63% das crianças são planeadas e desejadas. As mães começaram
a usar roupa de grávida, em média, no dia 114, enquanto que a média nacional
é 171; finalmente, 24% dos pais colocaram ao filho o seu nome enquanto a média
nacional é de 4%.
E. Lenoski, Heartbeat, vol. 3, no. 4, Dec. 1980
3.
“Depois da legalização do aborto nos EUA, enquanto a taxa de homicídios
aumentou 39%, a taxa de infanticídios (crianças de um até quatro anos)
aumentou 73%.”
Gus J. Sltman, M.D., University of Medicine and Dentistry of New Jersey,
Robert Wood Johnson Medical School at Camden, letter to the editor, JAMA
269:2033, 10/21/92.
4.
“Desde que há aborto a pedido, o número de crianças sujeitas a maus tratos
tem aumentado continuamente”
Philip G. Ney, M.D., “Is elective abortion a cause of child abuse?” Sexual Medicine Today, June 1980
5.
“Os defensores do aborto a pedido argumentam dizendo que todas as crianças
devem ser desejadas –every child a
wanted child—. Contudo, ha razões para crer que o aborto a pedido não só
não resolveu o problema das crianças indesejadas, negligenciadas ou
maltratadas, como piorou o problema.”
Philip Ney, M.D., “Relationship between abortion and child abuse,”
Canadian Journal of Psychiatry 24:610, 1979
6. Na
cidade de Aberdeen, na sequência de uma bizarria jurídica, o aborto foi
legalizado 12 anos antes de ocorrer a legalização em todo o Reino Unido.
Portanto, a cidade de Aberdeen deveria ter a menor taxa de crianças não
desejadas e consequentemente a taxa mais baixa de maus tratos. Curiosamente,
Aberdeen tinha, no Reino Unido, a mais alta taxa de crianças abandonadas,
maltratadas e negligenciadas.
Annual Report, Chief Medical Health Officer, Aberdeen, Scotland, 1972
7. No
Japão existe aborto a pedido há mais de 35 anos. Seria de supor que todas as
crianças fossem desejadas e bem tratadas. Contudo, “o número de
infanticídios tem aumentado tanto que as assistentes sociais tiveram que fazer
um apelo às mães japonesas, na televisão e nos jornais, para que não
matassem os seus filhos.”
The Sunday Times, June 23, 1974
8.
“Mais de um milhão de crianças, em 48 Estados, foram vítimas de maus tratos
e de negligência em 1994. Isto representou um aumento de 27% em quatro anos.”
Child Maltreatment 1994: Reports from the States to the National Center
on Child Abuse and Neglect
9.
“As crianças deficientes ou retardadas não são mais vítimas de maus tratos
que as crianças normais”.
Lynch and Roberts, “Predicting child abuse: Signs of bonding failure in
the maternity hospital,” British Medical Journal 1:624, 1977
10.
“A esmagadora maioria das gravidezes não planeadas originam crianças
desejadas”.
Royal College of Obstetricians and Gynecologists of England.
11.
Parece que não restam dúvidas: a legalização do aborto leva ao abuso, aos
maus tratos e à negligência das crianças, pelo que, para acabar com todos
estes horrores é preciso acabar com o horror supremo, o abuso máximo, o
extremo mau trato: o aborto!
12. A
escravatura foi sempre muito polémica. Depois de discussões infindáveis
chegou-se à conclusão que tudo se resumia nesta questão: o que é que
distingue um preto de um branco para que o primeiro possa ser escravizado e o
segundo não? Ninguém conseguiu responder a esta pergunta e isso bastaria para
a escravatura não ter base lógica. Nos EUA, o problema foi resolvido por uma
votação do Supremo Tribunal de Justiça: por 7 votos contra 2 ficou
estabelecido que os pretos não eram pessoas e por isso podiam ser escravizados.
O resultado é conhecido: uma Guerra Civil e duas emendas à Constituição.
13.O
aborto foi sempre muito polémico. Depois de discussões infindáveis chegou-se
à conclusão que tudo se resume nesta questão: o que distingue um bebé por
nascer do bebé nascido para que o primeiro possa ser torturado e morto e o
segundo não? Ninguém conseguiu responder a esta pergunta e isso basta para que
o aborto não tenha base lógica. Nos EUA, o problema foi resolvido por uma votação
do Supremo Tribunal de Justiça: por, uma vez mais, 7 votos contra 2, ficou
estabelecido que o bebé antes de nascer não é pessoa e por isso pode ser
morto. Convinha que os defensores do aborto fossem razoáveis. Se defendiam o
aborto para acabar com os maus tratos, devem ter a honestidade de combater o
aborto quando se prova que este leva aos maus tratos!
14. Se
não se consegue distinguir o bebé não nascido daquele que já nasceu, não há
base lógica para defender o aborto e rejeitar o infanticídio. Assim, ou se
rejeita a teoria do aborto para prevenir a miséria, ou matam-se as crianças
miseráveis e defende-se o massacre da Candelária.
15. Não
seria muito mais justo defender a morte daqueles que já são miseráveis e mal
tratados, do que defender a morte daqueles que poderão eventualmente vir a ser
miseráveis e mal tratados?
João Araújo
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