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A Plataforma NÃO OBRIGADA,
apresentada há uma semana e que
no sábado pôs na rua o seu
primeiro cartaz, prometeu para o
referendo ao aborto uma campanha
moderna e informativa,
preocupada com a mulher e com o
bebé, que contribua para um
debate sério do problema do
aborto e proponha soluções para
o enfrentar.
O primeiro sinal do cumprimento
desta promessa foi partir da
realidade do terreno em vez de
preconceitos ou de ideias
feitas. Para isso contratou com
o Centro de Sondagens da
Universidade Católica a
realização de uma grande
sondagem de opinião sobre as
questões da vida e do aborto.
Tratou-se da maior sondagem até
hoje realizada sobre o assunto:
1880 entrevistas pessoais, 36
locais de amostragem, cobertura
de todo o território de Portugal
continental e 4 dias de trabalho
de campo.
Foi esta
mesma sondagem que, num artigo
de Fernanda Câncio publicado no
dia 8 nas páginas deste jornal,
foi reduzida a “três singelas
perguntas” e acusada de ser um
“prodígio de manipulação”. É
sabido que esta jornalista é uma
activista militante do aborto
livre em Portugal, mas essa
qualidade não a pode influenciar
na leitura de uma sondagem
objectiva, feita por um centro
de sondagens de referência em
Portugal e cuja ficha técnica
está acessível no
site
www.nao-obrigada.org.
Isto para não falar, se dúvidas
houvesse, da possibilidade de
consulta à assessoria de
imprensa da Plataforma. Mas,
não. Preferiu acusar, sem
investigar.
A Plataforma divulgou três
perguntas e esclareceu que eram
apenas “alguns resultados” da
sondagem. Outros há que merecem
relevo. Por exemplo, que os
portugueses sabem que o coração
do bebé já bate logo nas
primeiras semanas de gestação ou
que a liberalização do aborto
vai aumentar muito o número de
abortos praticados.
A sondagem incluía uma pergunta
exclusivamente dirigida às
mulheres com o seguinte teor: «Se
estivesse grávida e atravessasse
um momento de dificuldade ou
dúvida sobre a sua gravidez ou
maternidade, desejaria:».
A esta questão três quartos das
mulheres inquiridas (75,6%)
responderam: «Ser
ajudada e apoiada a manter a
gravidez e poder ter o bebé»
– contra 13,5% e 10,2% que
preferiam que o aborto fosse
livre ou ser encaminhadas para
uma clínica para abortar,
respectivamente. Apesar de ser
facultativa, àquela pergunta
responderam todas as inquiridas
e, entre aborto livre e ser
ajudada, a esmagadora maioria
opta pela ajuda. Esta é a
verdade. A consequência deve ser
o apoio à gravidez e não o
financiamento do aborto pelo
Serviço Nacional de Saúde com os
impostos dos contribuintes
Estas linhas não são uma
resposta a um artigo; são antes
um lembrete. As mulheres
portuguesas não querem a
liberalização total do aborto,
porque recusam as consequências
de uma lei que a consagre. Na
Plataforma NÃO OBRIGADA está
muita gente que todos os dias,
em múltiplas estruturas de apoio
à gravidez e à maternidade,
trabalha na solução. Este
trabalho vem sendo feito desde
há longos anos e com particular
vigor desde 1998. A convicção da
vitória do “Não” no próximo
referendo é um estímulo para o
continuar.
* Membro da Plataforma NÃO
OBRIGADA |