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O tema do aborto tem
gerado um debate
fracturante, duro,
agressivo, radicalizado
e extremado de parte a
parte. O que parece um
erro por se tratar de
uma chaga social que
todos desejamos
combater. No entanto,
parece-nos que existem
factores que são
consensualmente aceites
na sociedade, e a partir
dos quais podemos
encontrar uma resposta.
Parto desta constatação
de consenso pelos
trabalhos, artigos de
opinião e sondagens já
publicados, e também do
contacto directo com a
população.
Os pontos onde se mostra
esse consenso:
1. O Aborto é um mal e
todos o reconhecem.
Álvaro Cunhal dizia em
1940: "O aborto é um
mal. Nisto estão de
acordo todos os
escritores..."
2. Todos reconhecem que
o aborto implica sempre
a destruição de uma vida
humana. Não lhe chamo
pessoa, feto ou embrião.
Falo em vida humana. A
ciência e a técnica
encarregaram-se já de o
demonstrar. Ninguém nega
que se trata de uma vida
humana.
3. Todos reconhecem que
o aborto implica sempre
dor, sofrimento e
elevado risco de
sequelas físicas e
psíquicas para a mulher.
4. Existe hoje um largo
consenso quanto à lei de
84 que permite o aborto
nas situações dramáticas
de malformação do feto,
perigo de vida para a
mãe ou filho e violação.
Neste referendo não está
em causa esta lei e não
será alterada por via
deste.
5. A lei actual tem
encontrado na sociedade
e nomeadamente no meio
judiciário um quadro de
aplicação que permite
dizer que há mais de 20
anos não há nenhuma
mulher presa por aborto
consentido em relação à
mulher grávida. E os
julgamentos publicitados
reportavam-se na
esmagadora maioria a
abortos praticados com
mais de 10 semanas. A
recentemente aprovada
Lei-Quadro de Política
Criminal reforça esta
posição ao ordenar a não
realização de
julgamentos por via da
suspensão provisória do
processo. A lei penal do
aborto está, por isso,
apenas votada à função
dissuasora, preventiva e
profiláctica. Isto é,
constitui hoje um
indicador social de que
o aborto é um mal.
6. Há um forte consenso
no sentido de que é
necessário combater o
aborto por via do
planeamento e educação
familiar, e ainda
através de políticas de
solidariedade para com
aqueles e aquelas que
mais carenciados e em
risco se encontram.
Perante este conjunto de
factos que nos parece
colher amplo consenso
nacional, importa
perguntar o que está em
causa no dia 11 de
Fevereiro. O aborto a
pedido?
Porque seria livre o
aborto, se é um mal? Se
produz sequelas graves
na mulher? Se destrói
uma vida humana? Se não
tem fundamento médico?
Se é método
contraceptivo? Alterar a
lei para quê? Apenas
porque se pretende o
aborto livre até às 10
semanas, sem limites nem
condições ou porque se
não deseja uma gravidez?
O aborto fere um bebé
(de morte), fere uma
mulher/mãe, fere um pai
e uma família, o aborto
fere uma nação.
Presidente Federação
Portuguesa pela Vida,
Mandatária Plataforma
Não Obrigada |