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Debates e sessões de
esclarecimento,
encontros com a
comunicação social e
eventos de carácter
científico, grandes
encontros populares de
encerramento no Porto e
Lisboa, Évora e Braga.
As grandes manifestações
dos dois últimos
fins-de-semana: milhares
de pessoas na Fonte
Luminosa, e, depois em
Vila Real e Viseu, Faro,
Porto e Setúbal. Apetece
antecipar o balanço,
tirar conclusões.
Revejo as sessões
públicas em que me foi
possível compreender
pelo menos uma coisa:
podemos paradoxalmente
ser todos contra o
aborto, mas há quem só o
queira tornar legal.
Preferimos que não haja
nem legal nem
clandestino. Não se
percebe porque haja de
ser tolerada uma
realidade ilegal e
branqueados os que vivem
da exploração da
fragilidade do outro.
Dotados de inteligência
e razão, somos
convidados a encontrar
outras soluções e não
ceder ao conformismo e à
resignação.
Recordámos sem cessar a
humanidade do embrião ou
feto a que todos, quando
acontece em nossas
casas, chamamos filho.
Ninguém se pode sentir
autorizado a dispor
sobre a vida,
parafraseando Lídia
Jorge, “dessa coisa
humana”… Quando aborta,
uma mulher vê destruída
não apenas essa “coisa”,
mas também, com uma
assustadora
probabilidade, a própria
vida. E, revendo o
“Happy Birthday” de um
rapper norte-americano
(disponível no You Tube),
também a vida do seu pai
e de todos à roda. Mesmo
que seja legal (como o é
nos Estados Unidos e, em
alguns estados, até aos
9 meses). Repetimos à
saciedade as palavras de
Clara Pinto Correia: o
aborto não resolve
problema nenhum e
“apenas torna a vida
pior do que, para
alguns, ela já é”.
Procurámos explicar
porque é que o juízo
sobre um facto (o
aborto), não é um juízo
sobre a mulher que
aborta. Que a lei penal
não usa a qualificação
do sujeito (criminoso ou
criminosa) mas palavras
objectivas: facto, acto,
conduta, ilícito. Que a
lei protege a vida do
bebé e da mãe quando é a
sua última defesa contra
a pressão de quem a quer
fazer abortar. Que a lei
aponta uma estrada e a
sua validade não se mede
pela verificação de
infracções. Que a lei
que protege a vida
humana, com as excepções
das normas introduzidas
em 1984, não é mais
severa do que a que
protege a propriedade
informática, o ambiente
ou o bom-nome de cada
um. Denunciámos por isso
a incoerência daqueles
que não evitaram quando
podiam o que qualificam
como o “escândalo dos
julgamentos” (nascido da
forma como os usam). E
que se a resposta no
referendo fosse sim o
“escândalo dos
julgamentos”
prosseguiria para toda a
mulher que abortasse
fora de estabelecimento
oficial ou autorizado
até às 10 semanas e para
toda a que abortasse
depois dessa aleatória
data. Dúvidas houvessem
e o Eng.º Sócrates se
encarregou, nos últimos
dias, de nos confirmar
que a pergunta é sobre a
liberalização…
Vimos juntarem-se a nós
amigos novos. Muita
gente de muitos lados.
Verificámos como é
possível a coexistência
de perspectivas
diferentes, ângulos
diversos, histórias
separadas, axiologias
variadas. Em comum:
dizer Não à
liberalização.
Verificámos estupefactos
como se vende uma
proposta coxa como se
fosse o melhor dos
mundos. Limitámo-nos a
testemunhar o que nos
tem acontecido ver ao
longo destes últimos
anos: milhares de
mulheres e crianças
salvas. Aqui reclamámos:
se umas dezenas de
associações fizeram o
que fizeram, o que não
faria um Governo que
estivesse disposto a
aplicar em politicas
adequadas, o que está
disponível para gastar,
por uma cegueira
ideológica muito datada,
no aborto livre e legal!
Aceitámos discutir tudo
e suportámos
pacientemente todos os
insultos. Fomos
moderados escutando as
objecções de quem as
quis formular. Demos as
nossas razões em todo o
lado e perante todas as
audiências. Á nossa
volta vimos crescer um
povo e uma cultura da
Vida. Independentemente
do resultado (o beco
fechado da vitória do
Sim ou o caminho aberto
a todas as
possibilidades da
vitória do Não), depois
de uma mobilização
cívica sem precedentes,
a Vida cresceu em
Portugal. Razões de
sobra para dizer que
valeu a pena.
António Pinheiro Torres
Mandatário dos Juntos
pela Vida |