"A carta do Patriarca"

Nuno Serras Pereira

Janeiro 16, 2007

 

Carta do Senhor Cardeal Patriarca aos Párocos e Comunidades Católicas da Diocese de Lisboa afirma com toda a clareza que a verdade que a Igreja anuncia «… sobre a vida, inviolável desde o seu primeiro momento, obriga em consciência todos os católicos», sublinhando, deste modo, que estes «… devem votarnão” …»[1] recusando «… uma lei facilitante do aborto»[2] e pôr em prática as «exigências do amor fraterno … inventando formas de ajudar todas as mulheres para quem a maternidade se torna difícil, momento de desorientação e tentação.». Estas verdades, com os restantes pontos doutrinários sintetizados pelo Senhor Patriarca e todos os demais que se podem encontrar na carta encíclica O Evangelho da vida, do Papa João Paulo II, ou na Nota Doutrinal da Congregação para a Doutrina da «sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política» não podem como devem ser anunciados nas homilias das celebrações Eucarísticas.[3]

 

Se os católicos têm a obrigação de votarnão”, como afirma o Senhor Patriarca, tanto na Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, de que é membro, como na sua carta, isso significa não que não podem (moralmente falando), sob pena de grave iniquidade, votarsim”, mas também que não podem, sob pena de grave imoralidade, abster-se. De facto, «o respeito pela vida dos outros, em todos os seus momentos, é dever imposto pela lei natural e universal [fundamento das leis humanas, que a ela não se podem opôr], base da exigência ética e da cultura. O judeo-cristianismo assumiu como dever religioso esse imperativo da Lei natural, no mandamento do Decálogonão matarás”. Isso significa, para os crentes, que respeitar a vida é também mandamento expresso pelo Senhor, que respeitá-lo é adorá-l’O …»[4]. Ora, continua o Senhor Patriarca, a «vida humana é um todo inseparável, desde a fecundação até à morte natural. [E] o respeito pela vida e o amor fraterno incidem em todos os momentos deste processo»[5]

 

Devemos estar agradecidos ao Senhor D. José Policarpo por mais este contributo e estímulo, aos Párocos e demais fiéis, que certamente incentivará a um esforço redobrado, na entrega generosa de amor aos nossos irmãos nascituros e respectivas mães, para que no dia de Nossa Senhora de Lurdes o povo português diga “Não” à anti-cultura da morte e do ódio.

 

[1] Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, Razões para escolher a vida, Lisboa, 19 de Outubro de 2006

[2] Carta do Senhor Cardeal Patriarca aos Párocos e Comunidades Católicas da Diocese de Lisboa, nº 5. 4

[3] Idem, nº 2

[4] Ibidem, nº 5. 3

[5] Ibidem, nº 5. 2

    

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