O mito do aborto seguro

 

Há dias um jornal referia duas das razões dos defensores do Sim no referendo ao aborto que escondem uma realidade muito relevante para este debate: o aborto nunca é seguro, mesmo que realizado em hospitais com todas as condições!

As razões então apresentadas eram: "porque o aborto clandestino mata e faz sofrer e por isso é um problema de saúde pública" e "porque é preciso pôr fim ao aborto ilegal e inseguro". Estas razões têm subentendida uma conclusão: "a solução é o aborto legal, feito em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados, que é seguro e não mata". Ora, esta conclusão é falsa! O aborto é sempre perigoso e é isso que vamos mostrar neste artigo.

Antes de entramos nos perigos do aborto vejamos só mais um aspecto em relação ao chamado "aborto clandestino". O fogo de artifício que tem sido levantado à volta do tema pode dar a entender às pessoas que todos os anos este causa em Portugal milhares de mortes de mães. Mais uma vez, essa ideia é falsa. De facto, o Instituto Nacional de Estatística tem conhecimento de cerca de 3 (sim, três!!) mães mortas por ano devido a causas que se suspeita estarem relacionadas com um aborto feito clandestinamente. Uma que fosse seria muito, mas convenhamos que 3 fica muito aquém dos milhares que por aí se apregoam…

Há alguns anos uma prestigiada revista médica americana resumia de forma lapidar a questão dos perigos do aborto legal: "uma das razões que mais frequentemente levam as mulheres à urgência de ginecologia são abortos feitos em clínicas de aborto legais" (1).

Vejamos alguns dos riscos físicos em que uma mulher que aborte -- legalmente -- incorre: hemorragias, infecções/febres altas, útero perfurado, trabalhos de parto longos e difíceis (posteriormente), esterilidade, choque/coma, dores violentas, abortos incompletos, desordens na menstruação, aborto expontâneo (posteriormente), gravidez ectópica (posteriormente; a gravidez ectópica é das maiores causas de morte materna no primeiro trimestre de gravidez), etc.

Se os problemas para a saúde física são muitos, para a saúde mental não são menos e atingem uma percentagem elevadíssima de mulheres que abortaram: sentimento de culpa, alucinações, pesadelos, abuso de álcool e de drogas, tendência suicida, sentimento de enlouquecimento, inibição sexual, ataques de choro frequentes, preocupação pela criança abortada, raiva, depressão, tristeza, sentimento de perda, etc. (2)

Por último há a relação entre aborto e cancro de mama. Todos os estudos sérios realizados sobre o tema mostram que o aborto (legal ou ilegal) aumenta em muito a probabilidade de contrair cancro de mama. Um estudo mostra que uma mulher que tenha abortado uma vez aumenta o risco de ter esta forma de cancro em 30% e uma mulher que tenha abortado mais do que uma vez tem um risco varias vezes maior. O interessante é que este valor é pouco divulgado apesar de ser superior ao risco de um fumador passivo contrair cancro nos pulmões (26 a 30%). Este último risco tem levado à proibição de fumar em inúmeros locais públicos, locais fechados, etc.

O aborto legal não tem sido em muitos países, por exemplo Itália, uma solução para o aborto clandestino. O aborto legal não tem sido nem poderá ser uma solução para os perigos do aborto clandestino pois estes não são na sua maior parte devidos à clandestinidade mas ao aborto em si. Se se continuar a esconder estes perigos muitas mulheres vão morrer ou viver infelizes porque alguém lhes deu como presente uma maçã envenenada.

Para que é que querem substituir o aborto "ilegal e inseguro" pelo aborto "legal" mas também "inseguro"?

 

M. Correia

 

(1) L. Iffy, "Second Trimester Abortions", JAMA, vol. 249, no. 5, Fev. 1983

(2) Anne C. Speakhard, Vincent M. Rue, "Post-Abortion Syndrome: An Emerging Public Health Concern", Portsmouth, NH, 1991