E agora?

O resultado do referendo sobre o aborto foi um milagre. Na sua obtenção tiveram um papel de particular relevo as Ordens Contemplativas, em especial as Clarissas e as Carmelitas, que ao longo de quase dois anos perseveraram na oração e no sacrifício pela causa da Vida.

Agora importa uma mobilização geral para:

1 - Criar centros ou pontos de apoio à vida. Um mês após o referendo tanto os Juntos pela Vida como outros movimentos ou membros a eles pertencentes, no seguimento de um trabalho anterior, iniciaram um empenho mais intenso na criação dos mesmos.

2 - Divulgar sistematicamente a encíclica Evangelium Vitae, promovendo o seu estudo e organizando conferências e debates sobre a mesma.

3 - Esclarecer a identidade e o estatuto do embrião humano, de modo a que se caminhe para o reconhecimento jurídico da sua personalidade.

4 - Repor a verdade em relação aos erros que foram sistematicamente incutidos na opinião pública, quer por sectores marginais à Igreja, quer por fazedores de opinião católicos com altos cargos e grande prestígio na comunidade eclesial, a saber: a) que o aborto pode ser realizado em determinadas circunstâncias ou que há abortos que não o são e a que se chamam actos médicos; b) que a contracepção é ou pode ser lícita e que a ela se deve recorrer para combater o aborto. Ora, a mentalidade contraceptiva não só conduz à abortiva, como quase toda a contracepção é abortivo-precoce, ou pode agir como tal. Importa urgentemente "reabilitar" a Humanae Vitae, contando, embora, com a resistência e marginalização por parte dos "ídolos" da comunidade eclesial e seus poderosos meios.

5 - Evitar a imposição, por parte do Estado, da educação sexual relativista-pornográfica nas escolas públicas. A experiência dos outros Países demonstra que isso conduz não só à promiscuidade, como ao aumento do número de abortos.

6 - Continuar e incrementar a oração pela vida.

Nuno Serras Pereira