APELO ASSIMILADO?

 

1. São, ainda, poucos os que compreenderam a importância e a seriedade do desafio que nos foi lançado com a encíclica ‘O Evangelho da Vida’. O que está em jogo na defesa da vida toda e de todos é, também, a salvaguarda da liberdade (nnº 19, 96), da igualdade (57), da democracia (19, 70, 101), do direito (4, 18, 20). "As argumentações da encíclica nestes pontos são extraordinariamente convincentes" (Casini). "Urge [ pois] uma mobilização geral das consciências e um esforço ético comum, para se pôr em prática uma grande estratégia a favor da vida." (95). "Somos enviados como povo. O compromisso de servir a vida incumbe a todos e a cada um. É uma responsabilidade tipicamente ‘eclesial’, que exige a acção concertada e generosa de todos os membros e estruturas da comunidade cristã." (79).

2. Nenhuma pessoa razoável "tentará justificar a fome de populações inteiras, o tráfico de droga , as guerras de ‘purificação’ ou de ‘limpeza étnica’ ou outras formas de deliberada violência e de morte de seres humanos; todavia o aborto, que todos os anos mata 40 milhões de pessoas, não só é promovido mas também financiado por vários governos" (O’ Connor, cf. 10). Este "género de atentados, relativos à vida nascente [ ...] apresentam novas características e levantam problemas de singular gravidade: é que, na consciência colectiva, tendem a perder o carácter de ‘crimes’ para assumirem, paradoxalmente, o de ‘direitos’, a ponto de se pretender um reconhecimento legal por parte do Estado e a consequente execução gratuita pelos profissionais de saúde." (Cf. 11). Trata-se de "uma objectiva conjura contra a vida em que se acham também implicadas Instituições Internacionais, empenhadas em encorajar e programar verdadeiras campanhas para difundir [ ...] o aborto" (17).

Nuno Serras Pereira