CLANDESTINIDADE


Os defensores da legalização do aborto argumentam que ela é necessária para acabar com o clandestino já que este provoca consequências na saúde da mulher e é a 2º causa de morte materna (segundo os últimos dados, em Portugal, foram 3 as mortes num ano).

Ora, a experiência dos países onde ele foi liberalizado diz-nos que o clandestino não acaba e que aumenta em muito o número de mulheres que abortam (nos USA aumentou de 100.000 (clandestino) para 1.500.000 (legais), por ano!). Na Itália, em 1983, houve 233.976 abortos legais e entre 90 a 100 mil clandestinos (Cf Alcorn). Assim, não se ‘resolve’ mas agrava-se o problema. Além de que, o aborto legal também afecta a saúde e o número de mortes que provoca nas mulheres "permanece o mesmo" (R. Alcorn).

Acresce que assim como no caso da violação, por exemplo, que é um atentado horrível contra a mulher, ninguém procura torná-la legal e mais segura também no do aborto que é a morte deliberada de um bebé "o nosso objectivo não deve ser o de torná-lo mais seguro e o mais fácil possível mas sim o de arranjar alternativas e restrições legais para evitá-lo" (R. Alcorn).

Se qualquer pessoa que queira abortar sabe onde o fazer e a quem deve recorrer como é que a polícia é a única a ignorá-lo? E se não ignora porque é que não age? E se age porque é que há um vazio judiciário? Se se está preocupado com as mulheres vítimas do aborto a solução não é despenalizá-lo mas acabar com o clandestino, pois, se as coisas funcionassem como deviam, o que, querendo, era viável, ele reduzir-se-ia drásticamente.

Não basta, porém, a defesa legal da vida é também necessária a "adopção de medidas sociais, familiares, morais e culturais" (D. António Ribeiro) que a reconheçam e a promovam.

Nuno Serras Pereira