A maioria "absoluta" dos portugueses é favorável à despenalização do aborto. É o que se deduz dos resultados de uma sondagem da Universidade Católica, onde 60,9 por cento dos inquiridos defendem o "sim". A pergunta feita na sondagem é igual à que vai aparecer no referendo de Junho.
A menos de dois meses do referendo, o "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas de gravidez está em clara vantagem. De acordo com uma sondagem da Universidade Católica, se o referendo - previsto para o dia 28 de Junho - se tivesse realizado no final da semana passada, a despenalização do aborto teria passado e por larga maioria: quase dois terços dos portugueses estão a favor das alterações introduzidas ao Código Penal pelos deputados em Fevereiro.
Dos 1293 inquéritos telefónicos efectuados pela Universidade Católica, que tiveram por base a pergunta aprovada pela Assembleia da República para o referendo - "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas dez primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" -, 60,9 por cento responderam "sim", o "não" obteve 30,3 por cento de respostas e apenas 8,8 por cento dos entrevistados se recusaram a responder.
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Ficha técnica: os dados para a sondagem elaborada pela Universidade Católica para o PÚBLICO, Antena 1 e RTP, foram recolhidos nos dias 30 de Abril e 1 de Maio. O universo abrangeu indivíduos recenseados com mais de 18 anos, residentes no continente em habitações com telefone. Foram recolhidas 1293 respostas. Para garantir a aleatoriedade da escolha, em cada residência foi recolhida a opinião do membro do agregado que há menos tempo tinha feito anos. O erro máximo da amostra, com um nível de confiança de 95 por cento, é de 2,73 por cento.
Excerto de um artigo publicado no jornal "Públido" de 5 de Maio de 1998, Rui Flores